Destaco do filme o papel da juíza que funcionava como uma espécie de advogado do diabo, ou seja, apontava o lado bom das coisas, não para que tudo melhorasse, mas principalmente para humilhar o coitado do delinqüente. A perspectiva dela, de quem teve uma boa família, condições de estudar em lugares bacanas e pintar o cabelo de loiro em salões caros, dando a ela um aspecto de advogada de filme pornô, não permite perceber que aquele sujeito de 16 anos não tem nada na vida dele pra prezar. A relação dele com a família, com Deus, com a escola, com os amigos não é por afeto, é uma relação de dependência, de submissão e lutas de poder. Ele só conhece o mundo por micro-lutas de poder, e assim, num determinado momento usa isso contra aqueles que sempre lhe massacraram, claro, de maneira errada que merece punição. É ruim ver que um rapaz que nunca teve seus direitos preservados tenha que pagar pelos erros que cometeu: quem não conhece os direitos, não pode valorizar os deveres.
O documentário acaba por ser um “mais do mesmo”. Tudo que já se viu sendo repetido, torcendo para que na reiteração se veja o absurdo e assim sendo, alguma coisa possa acontecer. Ok, não acredito nisso, pouca gente ali na exibição estava com vontade de debater o assunto: a maioria estava atrás de horas complementares, outras, sei lá porquê. A verdade é que hoje em dia não há nada que nos motive realmente.