dentro do meu pequeno corpo,
em um lugar que desconheço,
mora um pequeno autoritário
que deixo de lado,
faminto,
desalimentado.
às vezes, no entanto,
ele se desvia pelas sombras
das minhas reações químicas,
sinapses, transações metabólicas
e me come.
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09 dezembro 2012
nas sombras de dentro
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02 outubro 2012
de hoje
regra pra poesia:
se soa poético, não serve.
se é grande demais, está mal.
se é diretamente pra alguém, errado.
a poesia,
pelo menos a de hoje,
deve ter algo de graça
de imprestável
de impossível.
e que passe do maior sentimento
pra maior brincadeira.
porque poesia
poesia mesmo mesmo
não é coisa da alma
mas coisa do corpo
brigando consigo mesmo
pra dizer que a briga é boa
e que a vida é inevitável.
se soa poético, não serve.
se é grande demais, está mal.
se é diretamente pra alguém, errado.
a poesia,
pelo menos a de hoje,
deve ter algo de graça
de imprestável
de impossível.
e que passe do maior sentimento
pra maior brincadeira.
porque poesia
poesia mesmo mesmo
não é coisa da alma
mas coisa do corpo
brigando consigo mesmo
pra dizer que a briga é boa
e que a vida é inevitável.
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11 maio 2012
pós-crise estomacal
Quando a gente fica um tempo sem um abraço, sem uma palavra mais doce, sem uma gentileza, sem um gesto carinhoso, fica na pele aquela coisa, aquele ranço, como se, aos poucos, os braços fossem enferrujando e perdendo a elasticidade, assim como se as palavras, sufocadas, ficassem mais duras e densas, e como se os gestos se tornassem mais pesados e frios.
É que o corpo se desacostuma ao outro, ou melhor se acostuma ao não-outro. Se perde em si mesmo, por dentro de si e tudo que se percebe ou se sente é aquilo que ele mesmo, amputado, não faz. A impossibilidade de nosso corpo em ser livre em relação ao outro faz dele um aleijado, um doente, um menino carente à espera da mãe. E a gente, dono do nosso corpo, vira orfão junto com ele.
Quando se deita, o corpo encontra o colchão. Vê nele uma companhia e um afago que essa noite, mais uma vez, não tem e não vem.
É que o corpo se desacostuma ao outro, ou melhor se acostuma ao não-outro. Se perde em si mesmo, por dentro de si e tudo que se percebe ou se sente é aquilo que ele mesmo, amputado, não faz. A impossibilidade de nosso corpo em ser livre em relação ao outro faz dele um aleijado, um doente, um menino carente à espera da mãe. E a gente, dono do nosso corpo, vira orfão junto com ele.
Quando se deita, o corpo encontra o colchão. Vê nele uma companhia e um afago que essa noite, mais uma vez, não tem e não vem.
12 outubro 2011
Fausto em Quadrinhos I
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