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04 outubro 2012

desaprender

O segredo da vida é desaprender. Desaprender a correr, a trabalhar, a agir, a falar, a argumentar, expor opiniões. Depois desaprender a dizer e a pensar, juntas assim como quem não sabe pra onde vai cada uma. Até que pouco a pouco exista apenas um rumorejar de vida, um sussuro de palavra e um lapso de gesto. Ali, nesse momento que quase nem existe, mas é de carne, que vai se colocar a vida. É ali que vai pulsar aquilo que é seu. Ali, exatamente ali, em um lugar que eu não faço ideia de onde é, mas já aprendi a palavra pra dizer, que é pequena, duas vogais e a consoante do meu nome. a vida é desaprender ali.

25 julho 2012

dito

escrever acumula.
e nada conserta a primeira palavra,
nem a segunda e nem a última.

e a gente vai precisando escrever cada vez mais
pra dizer alguma coisa
pra desdizer outra
pra redizer tudo o que já foi dito.

e nunca mais ninguém vai poder ouvir
essas palavras novamente
em paz.

27 junho 2012

hahahah

eu ri antes de começar a escrever.
é que eu não sabia ainda se tinha alguma palavra.
na mesa um neosoro, tampa de pendrive,
um clipe, palheta.
tem palavra.
nenhuma boa.
esperança nenhuma.
sono nenhum.
e nenhum sentido pra fazer poesia.


quem sabe antes
já não havia alguma coisa
que eu não precisava dizer
porque não havia nada
para não ser dito.

21 junho 2012

vinte e um

o computador ronrona
eu coço a perna
o teclado digitado
e ainda tem gente que insiste em fazer poesia falando do céu, do mar, da luz, dos grilos.

toda palavra é barulho
toda falta de palavra também.

então relaxa aí
e para de pensar que o silêncio é poético.