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13 março 2014

matos

quero passear no abismo do meu umbigo
até o limite máximo
do poço fundo de mim.

o que me dói
- sem dor e sem doer -
é que a pureza é imbecil
a virilidade é agressiva
a energia é entrópica
e o jardim
é sempre um amontado de matos
de cor.

11 julho 2012

cazuza

fazer poesia como se você ia achar um saco?

aposto que ia pedir pra eu te pegar um uísque
citar um bukowski,
pegar o violão e tocar um doors
e sair pelo leblon xingando os bunda-moles.

as pedras do arpoados iam servir de bungee jumping
pros nossos sonhos mais cretinos
e pros anseios mais baixos:
muito corpo e nenhuma alma.

nenhum beija-flor no seu Rio de Janeiro
nenhum cristo redentor as 7 da manhã na janela.
nenhum pensamento que não fosse
o de fazer de hoje
mais um dia sem fim.