um poema como um segredo:
um enigma a mostra
ou um espelho meio tampado
num desejo desperto de dar sentido em palavras
àquilo que se viveu na vida
o largo do machado nunca foi tão feliz
e nunca falou tanto, de mãos dadas,
pelas caminhadas nos caminhos da cidade
onde chamar de namorada é uma bobagem pra gente
mas dizer pros outros me faz encher a boca
que saliva seu nome com as mesmas letras que o meu.
as vistas, os videos e as músicas
como pano de fundo para algo urgente
não souberam, também,
o que se passava conosco:
dois corpos, frente a frente,
pernas cruzadas, olho no olho
um mão que encosta no braço
uma outra pendurada no queixo
ou arrumando o cabelo atrás da orelha
um comentário qualquer:
seu olho é bonito
você é linda
posso te esconder no armário?
e a cidade inteira em volta sumindo
o largo do machado vazio
podia tudo explodir
ou congelar
que aqueles corpos,
frente a frente,
sequer se dariam conta
pois de tudo que se passava
só percebiam o tempo que não volta
e a ida
inevitável
esse poema
claro enigma de amor
segredo escondido para todos lerem
está posto no mundo
não como um presente
mas como uma benção
uma lembrança
algo que sei e sabe
que podemos recorrer sempre que quisermos lembrar de uma coisa qualquer
esse poema agora é também seu
e reflete nas minhas palavras
seus olhos
e os olhos de todos que lerem
a pergunta, única,
é apenas uma:
quando você vai ler isso?
e quando você ler, o que você vai fazer?
a história toda é sua...e com você.
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16 setembro 2014
Quando ela vai ler isso?
09 novembro 2011
a alma
Tento me ver em meu blog e percebo que, como já disse, muitas vezes não me reconheço. Meu blog não é um portal para minha alma. A minha alma, se existe, vive em uma profundo poço sem portas e sem acesso. Cada vez que tento chegar até ela, lanço um balde e puxo de lá aquilo que desejo e recebo apenas alguns goles d´água de palavras que pigam por todo meu exterior. Isso eu escrevo. Aí quem me lê tem a missão de transformar meus pingos em palavras e depois em sentido e, assim, atribuir alguma coisa a mim ou à minha alma.
Pode parecer ridículo, mas não há tarefa mais solitária do que tentar comunicar a alma com alguém. Ela, intraduzível, é gigante e o outro apenas uma portinhola. É por conta disso que devemos viver como se a alma não existisse e comunicar apenas aquilo que nossos olhos podem ver e o coração sentir. Deixemos a alma de lado, ela é pesada e se vier à tona será através de um sofrimento qualquer. Comuniquemo-nos pelo coração, só com ele, sem as convenções sociais e sem a prática do cotidiano. De resto, deixe que o olho veja, a boca fale, o ouvido escute, a pele sinta, o nariz cheire. E Que o amor construa.
Pode parecer ridículo, mas não há tarefa mais solitária do que tentar comunicar a alma com alguém. Ela, intraduzível, é gigante e o outro apenas uma portinhola. É por conta disso que devemos viver como se a alma não existisse e comunicar apenas aquilo que nossos olhos podem ver e o coração sentir. Deixemos a alma de lado, ela é pesada e se vier à tona será através de um sofrimento qualquer. Comuniquemo-nos pelo coração, só com ele, sem as convenções sociais e sem a prática do cotidiano. De resto, deixe que o olho veja, a boca fale, o ouvido escute, a pele sinta, o nariz cheire. E Que o amor construa.
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30 outubro 2011
os olhos
Teus olhos
têm muitas cores
algumas que nem sei o nome
junto todas
faço um arco-íris de olhos
passeio pela íris e brinco
com a menina dos teus olhos
de canetinha
termino a obra de Deus
colorindo-os ainda mais
com as cores industriais
porém, aos poucos,
as cores começam a desbotar
e teus olhos, fustigados,
começam a escurecer
e a íris, lentamente, empalidece
a menina dos seus olhos cresceu
agora veste preto
está de luto com a vida.
Chora.
Tomara que seja birra.
têm muitas cores
algumas que nem sei o nome
junto todas
faço um arco-íris de olhos
passeio pela íris e brinco
com a menina dos teus olhos
de canetinha
termino a obra de Deus
colorindo-os ainda mais
com as cores industriais
porém, aos poucos,
as cores começam a desbotar
e teus olhos, fustigados,
começam a escurecer
e a íris, lentamente, empalidece
a menina dos seus olhos cresceu
agora veste preto
está de luto com a vida.
Chora.
Tomara que seja birra.
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