o problema do tempo
é que quando eu penso
ele pança.
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11 junho 2013
24 maio 2013
o tempo
o problema do tempo
é que quando eu penso, ele passa
e quando eu pulso, ele poça
é que quando eu penso, ele passa
e quando eu pulso, ele poça
25 março 2013
menina gorda
menina gorda
que corre pra emagrecer
se você correr proporcionalmente à sua gordura,
fato que vai emagrecer,
porque
não vai sobrar mais tempo pra comer.
que corre pra emagrecer
se você correr proporcionalmente à sua gordura,
fato que vai emagrecer,
porque
não vai sobrar mais tempo pra comer.
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tempo
26 outubro 2012
saudade
Saudade é um prato de carne
servindo legumes e peixes frescos
no almoço de amanhã
é o som que escapa
da caixa estourada do tímpano
do último maestro vivo
saudade é um tiro na cara
sem arma, sem bala
sem cama, sem gente
sem tempo
sem espaço
sem luz
20 setembro 2012
Coisas que me incomodam
De vez em quando
resolvo fazer esses posts que considero 1 – uma tentativa de
descobrir coisas que pra mim parecem apenas intuições; 2- tentar
atravessar uma barreira do óbvio nas opiniões e apresentar uma
forma de ver o mundo que seja similar a dos outros, mas que
ultrapasse aquilo que parece ser estabelecido.
Algo que já disse é
da infantilização das pessoas e de como, cada vez mais, elas estão
incapazes de aguentar e superar frustrações. A famosa ideia do carpe
diem obrigou todos a se esforçarem violentamente pra serem felizes o
tempo todo e assim fica impossível, ninguém aguenta mais nada e
haja música de fossa, haja novos parceiros amorosos pra aguentar
isso e haja velhos parceiros antigos sempre voltando pra tentar
reescrever histórias que já deviam ter terminado. A literatura se
tornou simplesmente um parceiro que dá conselho amoroso, a vida
profissional se tornou um meio de realização social e nunca
pessoal, a boa forma física vem cobrir buracos na personalidade,
estudar se tornou secundário ao menos que ela se torne também forma
de sedução.
Essa infantilização
é muito clara na micareta. Pessoas transformaram a sexualidade que é
algo sagrado em um mero jogo quase homoafetivo de relação da troca
de salivas em série. O que é pra ser um objeto de que nos
apoderamos pra nosso próprio prazer se torna um aprisionamento
olímpico da realização sexual perfeita, da piroca mais eficaz do
bairro em que, se possível, deveria haver um prêmio por um sexo tão
bem feito.
E aí todo mundo é
depressivo, todo dia serve pra reclamar. E o tempo? O tempo é sempre
o maior inimigo que não dá pra fazer nada e o clima parece ser um
vilão. As pessoas passam a se surpreender com o óbvio tal é a
falta de capacidade de encarar a realidade como algo repetitivo e,
justamente por isso, um arcabouço daquilo que temos que empreender
engajadamente nossos desejos.
Mas minha maior
reclamação de todas é sobre o paladar infantil. NADA pior que a
moda dos Cupcakes. Nada mais Xuxa Meneghel que cupkcake. Cupcake é
uma mistura de tivoli park com beto carreiro world com confete e
brigadeiro de aniversário. É a completa realização do nada pra
dentro de si mesmo. É o elefante que enfia a tromba no próprio cu e assopra.
Enquanto antes as pessoas comiam chocolate quando sofriam por amor, o amor
foi diluído em doses semanais de cupcake, uma espécie de barbie
bailarina bezuntada no rio do Willie Wonka.
Enquanto não
tomarmos consciência de porquê fazemos as coisas, vamos ficar por
aí, fazendo qualquer coisa.
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02 janeiro 2012
videotape
eu queria fazer um texto com dois objetivos: 1 - falar sobre o tempo. 2- ser capaz de fazer chorar. Então peço que quem me ler que coloque ao fundo a canção "videotape" do radiohead. O link está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=eNY3zTWDs9s
O tempo é bruto, é violento, único, mas apesar disso a vida funciona em videotape, funciona com um tempo visceral, caótico e não poético sendo incidido por vários momentos de nossa vida ao mesmo tempo. Sou capaz de estar em três ou quatro momentos agora, um aqui de short, sem camisa, banho tomado, cabelo ainda não penteado, outro na cama curtindo um momento de romance, nas horas que o eu te amo escapa entre suspiros, um outro passeando na praia com meus pais num dia em que saí de mãos dadas com minha mãe sem ter vergonha de o fazer e um outro em que sofrendo fui sozinho ao cinema e assisti um filme que me faz cair lágrimas tão pesadas que doíam pelo meu corpo. E estando nesses quatro lugares tenho saudades de todos, menos do de agora. Isso é o tempo.
O videotape não reprisa nada, ele reencena a vida, reescreve o mundo, reestrutura as palavras, os gestos e os sentimentos. Não há nada que não seja novidade e o tempo faz questão de que isso apareça a todo instante como um reflexo no espelho que se mexe e se mexe e se mexe, às vezes sem nem a gente saber que ele vai se mexer.
O choro. O choro e o tempo. Só o tempo é capaz de fazer chorar. Tem aquele primeiro choro, de emergência, o choro que te toma, que dá um sopapo na tua cara e você adora se jogar e deitar no outro da pessoa que te faz chorar pensando que queria morrer ali chorando, mas nunca perder a capacidade do choro. Tem o segundo choro, aquele distante, lágrimas por ninguém, diz hebert, cry for no one, dizem os beatles. Choro antigo, passado no século passado nas nossas vidas, mas que quando a gente senta e lembra, dos 4 momentos, juntos, os tempos todos, ele vem quase como um cansaço, e descansa, alcança a gente antes do fim do mundo e libera a paz.
O ano começa e com ele várias boas coisas, novas esperanças, novos jeitos de ver o mundo. Mentira. Sei lá, também, sei lá. É bom dizer sei lá, porque às vezes, né? Sei lá. Eu sei do choro e do tempo. Choro muito menos do que deveria, vivo muito menos o tempo como deveria. Uma chuva me prende em casa. Acho que esse final de texto está como eu gostaria, parado, preso no sem fim da linguagem, onde se abriga de um lado a escrita, forjando um tempo e as lágrimas presas em algum lugar de mim que nem sei. Ou sei. Sei lá. Que a vida seja um eterno videotape de novas imagens. Que o passado seja em tempo real.
O tempo é bruto, é violento, único, mas apesar disso a vida funciona em videotape, funciona com um tempo visceral, caótico e não poético sendo incidido por vários momentos de nossa vida ao mesmo tempo. Sou capaz de estar em três ou quatro momentos agora, um aqui de short, sem camisa, banho tomado, cabelo ainda não penteado, outro na cama curtindo um momento de romance, nas horas que o eu te amo escapa entre suspiros, um outro passeando na praia com meus pais num dia em que saí de mãos dadas com minha mãe sem ter vergonha de o fazer e um outro em que sofrendo fui sozinho ao cinema e assisti um filme que me faz cair lágrimas tão pesadas que doíam pelo meu corpo. E estando nesses quatro lugares tenho saudades de todos, menos do de agora. Isso é o tempo.
O videotape não reprisa nada, ele reencena a vida, reescreve o mundo, reestrutura as palavras, os gestos e os sentimentos. Não há nada que não seja novidade e o tempo faz questão de que isso apareça a todo instante como um reflexo no espelho que se mexe e se mexe e se mexe, às vezes sem nem a gente saber que ele vai se mexer.
O choro. O choro e o tempo. Só o tempo é capaz de fazer chorar. Tem aquele primeiro choro, de emergência, o choro que te toma, que dá um sopapo na tua cara e você adora se jogar e deitar no outro da pessoa que te faz chorar pensando que queria morrer ali chorando, mas nunca perder a capacidade do choro. Tem o segundo choro, aquele distante, lágrimas por ninguém, diz hebert, cry for no one, dizem os beatles. Choro antigo, passado no século passado nas nossas vidas, mas que quando a gente senta e lembra, dos 4 momentos, juntos, os tempos todos, ele vem quase como um cansaço, e descansa, alcança a gente antes do fim do mundo e libera a paz.
O ano começa e com ele várias boas coisas, novas esperanças, novos jeitos de ver o mundo. Mentira. Sei lá, também, sei lá. É bom dizer sei lá, porque às vezes, né? Sei lá. Eu sei do choro e do tempo. Choro muito menos do que deveria, vivo muito menos o tempo como deveria. Uma chuva me prende em casa. Acho que esse final de texto está como eu gostaria, parado, preso no sem fim da linguagem, onde se abriga de um lado a escrita, forjando um tempo e as lágrimas presas em algum lugar de mim que nem sei. Ou sei. Sei lá. Que a vida seja um eterno videotape de novas imagens. Que o passado seja em tempo real.
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