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31 maio 2012

não fazer nada

Tem dias que eu não quero fazer nada. É difícil me fazer entender. Assim que acordei e vi que o tempo estava meio nublado pensei na hora que hoje não gostaria nem de sair da cama. Estava passando um jogo de tênis bacana e fiquei assistindo, durou quase 6 horas e, nos intervalos, eu entrava na internet pra ouvir um bocado do que as outras pessoas tinham pra dizer: quase sempre nada demais, quase sempre algo desiteresssante, quase sempre como sempre. Descobri, então, que vou ter que trabalhar sábado de manhã e que por conta disso não vou poder beber amanhã, sexta. Pensei na hora que hoje era o dia de encher a cara. Maravilha, não fazer nada durante o dia e encher a cara da noite. Aí, na hora do almoço minha mãe disse pra irmos ao banco para ver o problema que ando tendo com o cartão. Pensei que a desculpa de não fazer nada poderia me livrar disso. Falei: “po mãe, hoje eu queria ficar em casa, descansar, quase não aproveito aqui.” Ela relutou, mas aceitou. E fazer nada vai ser o que farei hoje. Troquei encher a cara por não ir ao banco. Fico em casa e, se der, não vou tomar banho. Estou com preguiça. Estava lendo um bocado e agora vou ver um filme. Quinta-feira como deve ser.

06 outubro 2011

inteligência, graça, banco

Eu costumava achar graça em quase tudo e pensava que existia sabedoria em qualquer lugar.
Depois comecei a achar que sábio era quem não se preocupava em o ser e parei de achar graça nas coisas de outrora.
Aí encontrei novas coisas pra achar graça, mesmo que elas não fossem inteligentes.
Depois passei a achar graça em tudo e a achar todo mundo incrivelmente estúpido.
O tempo passou e percebi a graça e a sabedoria nas coisas simples da vida.
Aí me achei irritantemente estúpido: não existe nenhuma coisa simples na vida.
Mesmo assim continuei achando graça.
Teve também uma fase boa: dissociei inteligência de sabedoria e fiquei burro.
Pouco mais, percebi que o sábio é muito malandro pra dar tudo de mão beijada, enquanto que o humorista é, no fundo, uma puta.
Pouco menos, percebi que o sábio é um babaca aristocrata que quer guardar tudo pra si e o humorista um ser altruísta, que leva felicidade a todos.
Hoje não acho nada. Nem uma coisa nem outra.
Hoje, por exemplo, eu vou até depositar um dinheiro no banco.