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19 fevereiro 2013

canhoto

nunca fui canhoto,
mas sempre fui meio torto:
fazia um gol e estatelava no chão,
ganhava um beijo e cuspia na moça.

nunca fui canhoto,
mas sempre abria porta errado
e me enrolava na tesoura.

mesmo agora quando escrevo,
sempre que escrevo,
está lá minha mão
inevitavelmente apagando
meu rastro, meu traço, meu gesto...

13 agosto 2012

é um

aí você olha e vê que o mundo inteiro está explodindo lá fora. Pensa: E eu, por que eu estou aqui? Porque talvez seja preciso estar onde se está e fazer o que se faz para que o que é pensamento e desejo ganhe forma pra adentrar o mundo da vida sensível. Tudo que é sem plano (porque a palavra já diz) não tem chão, escorrega por entre as frestas irregulares do universo e tende a vagar por um caos de indefinição.
Ora, que se saiba que toda minha poesia é verdadeira, apesar de eu mentir às vezes, e toda minha verdade fui eu que inventei mais cedo. E as duas, mentira e verdade são faces não do meu pensamento, mas da minha composição, do meu organismo, daquilo que faz de mim uma coisa que quase nunca sei que sou.
e o amor? quando eu raramente falo de amor, falo pra lembrar que ele existe, pelo menos em palavras espalhadas pelo mundo e pelos gestos mais sutis que faço em direção ao fora. Porque amor de verdade mesmo, amor amor, só dentro do próprio vocábulo. amor é amor. é átomo. é um.