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14 março 2013

Amor é tudo que você precisa (2011)

Imagine observar o mundo de dentro de uma nave espacial e vê-lo lá de longe, pequeno, frio, insensível a qualquer tipo de coisa que aconteça com qualquer um de nós. Agora, aos poucos, imagine-se se aproximando da Terra, dando um zoom, chegando cada vez mais perto, e de aproximação em aproximação ir percebendo os detalhes, primeiro as diferenças de cores, depois as montanhas e o asfalto, as colinas e as geleiras. Depois ainda mais próximo, os prédios, os carros, os barcos, as árvores, as pessoas. Por fim, bem de perto poder ver cada ser individualmente, nos seus mínimos detalhes, seus pequenos dramas e conflitos, suas necessidades básicas e suas pequenas tragédias da inescapável condição que é viver.





Leia na íntegra em:

Resenha: "Amor é tudo que você precisa"

23 fevereiro 2013

"A Viagem"– Via Crucis em Loop



"Muito se fala sobre viagens, usa-se até em vão a famosa frase: “viajar é mudar a roupa da alma” para tentar traduzir o que significa esse deslocamento entre o espaço e o tempo que fazemos algumas vezes no decorrer da vida. No entanto, acho que poucos dimensionam ou conseguem dar a profundidade exata sobre o que é viajar. Creio que perdemos a capacidade de perceber que cada viagem é uma vida inteira e, assim, viajar é criar, fundar, plantar vida."






Leia o resto da resenha em:


Resenha: A Viagem - Acontece em Petrópolis

22 janeiro 2013

A Hora Mais Escura (2012)

 Caetano Veloso no álbum “Circulador de Fulô” de 92 canta ao lado de "Black or White" de Michael Jackson um poema-rap entitulado “Americanos” que em determinado momento diz:
Americanos são muito estatísticos / Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos / Olhos de brilho penetrante que vão fundo / No que olham, mas não no próprio fundo. E destacando essa situação do brilho no olhar americano destaca também que essa felicidade sem fundo está em decadência: “Americanos sentem que algo se perdeu / Algo se quebrou, está se quebrando.”
Depois dessa introdução, que deixo como epílogo sem muitos comentários, começo a falar de “A Hora Mais Escura” (2012) de Kathryn Bigelow, vencedora do Oscar 2009 com “Guerra ao Terror” que disputava na época com o caríssimo e feliz pra foto “Avatar”. “Guerra ao Terror”, filme de um tédio sem fim - que vale apenas pelos minutos finais - é sobre desarmadores de bombas em plena guerra no Oriente Médio. Em “A Hora Mais Escura”, Bigelow se esforçou para tentar encontrar um buraco mais embaixo, uma densidade, um sentimento, alguma coisa, qualquer uma, mas novamente a experiência fracassa.
O filme que promete retratar a captura de Osama Bin Laden não consegue escapar daqueles pequenos conflitos de estado entre “uma grande funcionária (Jessica Chastain) da CIA diz descobrir algo que até então ninguém descobriu, mas é atrapalhada pelo sistema e pelo governo que não lhe dá credibilidade.” Aí o filme fica nesse chove não molha, até que o governo resolve aceitar o plano dela e todos vão atrás do Bin Laden. “A Hora Mais Escura”, de belo título, é só sobre isso: uma caçada quase no escuro, e nada mais.
A grande questão, no entanto, me parece estar naquilo que fala Caetano. O americano olha fundo no que olha, mas não no próprio fundo e aquilo que não tem fundo, não consegue perceber o outro. A noção de indivíduo americano, ou seja, quando tudo se foca em um ser, na preservação desse ser e de como ele é importante e genial, “uma vida abençoada por deus”, não cabe na questão Islâmica. Lá não há indivíduo nesse nível, não há esse conceito, essa noção, então os ataques americanos que para eles são o auge da vingança, para os muçulmanos são quase irrelevantes na perda de vidas, mas se configuram como um ato profundamente ofensivo perante sua crença. E, sem fundo, os americanos não entendem, ficam perdidos e na tentativa de contar sua própria história contra os árabes, se mostram tontos, bobos, infantis, com uma excelente máquina de guerra, mas um desenvolvimento intelectual, social e político de um nematelminto.
“A Hora Mais Escura” só serve para os americanos e para o Oscar. Qualquer outro olho em qualquer lugar do mundo vai ver aquilo tudo com suspeita, sem empolgação. Com preguiça de reinventar a si próprio, o filme e os americanos transformam aquilo que era pra ser heróico em algo particular, quase supérfluo.

17 janeiro 2013

Argo (2012)


Uma das coisas mais importantes para quem pretende adentrar o mundo da arte, seja teatro, cinema, poesia ou o que quer que seja, é saber mapear o tamanho de si próprio. Saber até onde suas pretensões e suas ideias podem ser levadas a cabo e serem realizadas. Longe de isso querer dizer que a pessoa deve se limitar ou fazer algo que não esteja nas suas necessidades interiores, mas perceber que ela está ao serviço da arte, não a arte a serviço de seus interesses. O artista é o funcionário público da arte: serve a ela e às demandas da sociedade – sempre – em tensão.
Acho que esse é o maior erro de Argo (2012), direção de Ben Affleck, candidato a melhor filme pelo Oscar 2013. O passo é maior que a perna, a pretensão é maior que o roteiro, a proposta, a ideia, a narrativa e a história e por isso, o filme, que é absolutamente bem feito, frustra o espectador que percebe todos os potenciais desperdiçados dentro da trama.
Argo trata de um agente da CIA que precisa inventar um plano para retirar seis diplomatas americanos que estão presos no Irã na casa do embaixador canadense, após terem conseguido escapar da invasão da população local em sua embaixada. Baseado em fatos reais, a trama se passa na década de 70, quando o Xá, ditador local, é enviado para tratamento de câncer nos EUA e a população se manifesta para o retorno do comandante que deve ser julgado pelos crimes que cometeu durante sua estadia no poder.
A estratégia pensada por Tony Mendez (Affleck) é montar um fake-movie com o criador de personagens de ficção científica John Chambers (John Goodman) e o renomado produtor Lester Siegel (Alain Arkin). O fake-movie é a melhor parte do filme. No entanto, o que se vê é um colcha de retalhos entre gêneros: a trama de ação, adrenalina perseguição, agentes da CIA/partes do governo mobilizados, locação exótica em país distante, dramas pessoais dos refugiados na embaixada, problemas familiares de Mendez com sua esposa e filho, comédia na produção do fake-movie.
Acontece que, no fim, a trama de Argo, o filme falso, se torna secundária e vira um filme de ação e perseguição como qualquer outro, abandonando a excelente ideia proposta no início. O resultado: a sensação que nos fica é que Argo, o filme, é uma versão piorada da produção falsa do Argo de dentro. A duplicação, nesse caso, traz mais interesse pelo filme que não se fez do que pelo que se viu. A possibilidade de realização latente se configura em aborrecido filme óbvio. De qualquer forma, é uma bela pretensão de Affleck, que deve continuar investigando um novo cinema com mistura de gêneros, e se deixar de lado os apelos dos estúdios pelo óbvio, pode vir a produzir materiais interessantes.