Ah, como eu tenho inveja daqueles que escrevem que não tem "nada haver".
ah, tenho...e tenho porque eles tem razão: neles não tem nada haver porque não há nada a ver mesmo, estão mesmo vazios desde a existência até a visão.
mas Luizantonio, você não está sendo preconceituoso com quem não pode estudar e aprender a escrever direito?
Sim, estou...ah, como estou. E até me sinto mal com isso, sabe? Mas a verdade é que eu estou na corda bomba. Não consigo afirmar nada. Não vou pro lado da direita, nem da esquerda. Sinto mais a esquerda, mas por inclinação natural, por índole do que por qualquer fato da realidade. Acontece é que eu não compro as ideias dos intelectuais. Acho essa coisa de preconceito linguístico a repetição de vários erros que a gente já cometeu. É óbvio que há preconceito linguístico, é óbvio que há língua e é óbvio que há preconceito. E há de haver com tudo haver e a ver.
Luizantonio, você está me parecendo deveras Caetanesco com esse papo que fala, fala e não fala nada.
Ora, mas eu estou falando tanta coisa, tanta coisa. Eu só estou falando coisas que não quero que sejam aderidas, nem lá, nem cá. a academia me cansa: as duas, a do corpo e a intelectual. Bom mesmo é estar em casa fazendo nada, ou então na rua bebendo. Estar na rua sóbrio é dolorido de uma dor que a gente só consegue fugir comprando alguma coisa. Por isso que eu acho que as pessoas adoram ir ao cinema: é um jeito de estar na rua e protegido.
Mas fala mais sobre esse negócio de preconceito linguístico.
Eu não. Sempre preferi ignorar a linguística que sempre me pareceu uma filosofia piorada.
Você não gosta dos linguistas?
Gosto de todos.
E dos padres?
Gosto de nenhum. Sem exceção. Sou autoritário nisso.
E a democracia?
Sempre democracia.
Acha que pode acabar o post por aqui?
Acho.
Valeuz, mano.
Valeuz ksks
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04 abril 2013
diálogos comigo
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29 agosto 2012
pesadelo
Eu tive um pesadelo essa noite. Estou em um churrasco ou evento de família quando chega minha mãe e começa a fazer um relato. É minha mãe, mas era também outras mães, as mães de amigos que eu conheci e algumas mulheres mais velhas. Ela começa:
Aconteceu algo que eu preciso contar. Como todos vocês sabem eu e meu marido vamos fazer 50 anos de casados, então fui até à igreja em que casamos nesse tempo longo com a intenção de marcar essa celebração com o mesmo padre, que é conhecido de todos nós. Ele conhece meu filho, viu meu filho nascer, deu primeiro comunhão ao meu filho. É um homem faz parte da minha história também.
Chego na igreja e chamo por ele. Ele está nos fundos, colocando algumas meias no varal, coisas pequenas. Ele me olha, me ignora e volta a olhar as meias. Eu me aproximo, chamo por ele, coloco a mão no seu ombro e ele vira com um tapa no meu rosto. Eu caio, já não sou tão nova quanto parece e, apesar dele ser ainda mais velho que eu ainda tem mais força. Eu levanto e, sem saber o que fazer, pergunto porque ele fez isso. Ele me bate novamente, agora com um soco na cara. Grita: “Vocês mulheres o tempo inteiro, vocês mulheres resolvendo os problemas dos homens. Vocês insistindo em amar e querendo salvar a vida de todos. Você acha que você vai salvar seu casamento e seu homem fazendo isso? Você acha que depois de tanto tempo com aquelas pequenas brigas tudo vai ser diferente só porque uma igrejinha e um padre te abençoou? Eu tento argumentar que são 50 anos e que gostaria de agradecer a Deus e a todos por isso. Lembro de meu filho que se diz ateu. O padre, nesse momento, parece bastante religioso e o ateísmo do meu filho sempre parece mais gentil. Então resolvo fugir dali, mas ele me espanca mesmo. Fico completamente ensanguentada no rosto, inchada, doída.
Isso serve para todas as mulheres.
Aí ela acaba o discurso e eu me guardo de uma raiva que não lembro de ter sentido. Quero acabar com esse homem, mas penso que esse é o momento político mais importante da minha vida. Penso no amor dos meus pais e na violência de tudo que não é esse amor, penso em toda violência que já fizeram comigo e que continuam fazendo, principalmente aqueles que gostam de mim. Penso nisso e reúno mulheres pra contar essa história. Meu sonho continua, mas o que eu queria dizer dele, acaba.
Aconteceu algo que eu preciso contar. Como todos vocês sabem eu e meu marido vamos fazer 50 anos de casados, então fui até à igreja em que casamos nesse tempo longo com a intenção de marcar essa celebração com o mesmo padre, que é conhecido de todos nós. Ele conhece meu filho, viu meu filho nascer, deu primeiro comunhão ao meu filho. É um homem faz parte da minha história também.
Chego na igreja e chamo por ele. Ele está nos fundos, colocando algumas meias no varal, coisas pequenas. Ele me olha, me ignora e volta a olhar as meias. Eu me aproximo, chamo por ele, coloco a mão no seu ombro e ele vira com um tapa no meu rosto. Eu caio, já não sou tão nova quanto parece e, apesar dele ser ainda mais velho que eu ainda tem mais força. Eu levanto e, sem saber o que fazer, pergunto porque ele fez isso. Ele me bate novamente, agora com um soco na cara. Grita: “Vocês mulheres o tempo inteiro, vocês mulheres resolvendo os problemas dos homens. Vocês insistindo em amar e querendo salvar a vida de todos. Você acha que você vai salvar seu casamento e seu homem fazendo isso? Você acha que depois de tanto tempo com aquelas pequenas brigas tudo vai ser diferente só porque uma igrejinha e um padre te abençoou? Eu tento argumentar que são 50 anos e que gostaria de agradecer a Deus e a todos por isso. Lembro de meu filho que se diz ateu. O padre, nesse momento, parece bastante religioso e o ateísmo do meu filho sempre parece mais gentil. Então resolvo fugir dali, mas ele me espanca mesmo. Fico completamente ensanguentada no rosto, inchada, doída.
Isso serve para todas as mulheres.
Aí ela acaba o discurso e eu me guardo de uma raiva que não lembro de ter sentido. Quero acabar com esse homem, mas penso que esse é o momento político mais importante da minha vida. Penso no amor dos meus pais e na violência de tudo que não é esse amor, penso em toda violência que já fizeram comigo e que continuam fazendo, principalmente aqueles que gostam de mim. Penso nisso e reúno mulheres pra contar essa história. Meu sonho continua, mas o que eu queria dizer dele, acaba.
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