a casa não existe
é uma abstração do pensamento e do coração
abrigo do nada, do sim e do não.
a casa, construída ao acaso,
vira recanto de tudo que explode.
a casa é a casa
também não sendo.
a casa é outro caso.
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07 janeiro 2013
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20 outubro 2012
anti poesia de amor
nenhuma poesia de amor
pode ser escrita com boas palavras
bons momentos e bons pensamentos.
toda poesia de amor,
antes de tudo,
não é amor.
porque amor, quando é,
não dá tempo de poesia
filosofia, corpo, pensamento
alma, empada, tristeza.
nenhuma poesia de amor
dá conta do amor.
e nenhum amor dá conta
de tanta poesia.
quem ama com poesia
sempre paga
a conta
do fim
do amor.
pode ser escrita com boas palavras
bons momentos e bons pensamentos.
toda poesia de amor,
antes de tudo,
não é amor.
porque amor, quando é,
não dá tempo de poesia
filosofia, corpo, pensamento
alma, empada, tristeza.
nenhuma poesia de amor
dá conta do amor.
e nenhum amor dá conta
de tanta poesia.
quem ama com poesia
sempre paga
a conta
do fim
do amor.
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29 julho 2012
o olhar dela
Estava distraído na rua quando lhe veio na cabeça a frase:
- nunca olhei pro olhar dela.
Desencadeou-se, então, uma série de pensamentos que não quis controlar. Nunca olhou porque nunca a viu; porque nunca prestou atenção; porque o olhar dela é escorregadio; porque o olhar dela demandava tempo demasiado pra ser olhado; porque seus olhos ainda não estavam prontos pro dela...
E as perguntas se sucediam enquanto pensava o tempo todo no rosto dela, mas com dois buracos fundos no lugar do olhar. Não saberia como preencher esse vazio.
Foi quando percebeu entre os belos quadris, cabelos, gestos e simulações de prazer de meninas que passavam que tal sucedia porque devia ser assim:
O olhar dela (e só o dela) era daquelas poucas coisas na vida que só se pode olhar uma vez. E depois de olhado nada mais é o mesmo, tudo é diferente. Aquele novo olhar se torna seu lar.
- nunca olhei pro olhar dela.
Desencadeou-se, então, uma série de pensamentos que não quis controlar. Nunca olhou porque nunca a viu; porque nunca prestou atenção; porque o olhar dela é escorregadio; porque o olhar dela demandava tempo demasiado pra ser olhado; porque seus olhos ainda não estavam prontos pro dela...
E as perguntas se sucediam enquanto pensava o tempo todo no rosto dela, mas com dois buracos fundos no lugar do olhar. Não saberia como preencher esse vazio.
Foi quando percebeu entre os belos quadris, cabelos, gestos e simulações de prazer de meninas que passavam que tal sucedia porque devia ser assim:
O olhar dela (e só o dela) era daquelas poucas coisas na vida que só se pode olhar uma vez. E depois de olhado nada mais é o mesmo, tudo é diferente. Aquele novo olhar se torna seu lar.
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