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26 fevereiro 2013
a distância
Ás vezes vou ao teu encontro. Na maioria das vezes é você que vem ao meu. Não importa porque não existem diferenças naquilo que já é diferente e não se ousa buscar unidade naquilo que disperso é maior que condensado. A missão é se espalhar. Difícil é acreditar que sem os sonhos, os clichês e as fórmulas prontas as coisas podem dar certo. Aliás, quem disse que dar certo é relevante? Dar certo, no final das contas, é ou não é a repaginação da lógica que a gente tanto luta contra? É ou não é a composição dos piores sonhos que a humanidade já teve, mas que insiste em repetir como num vício, numa roda que nunca para de girar no topo de seu umbigo? Não sei. Sei lá. Não sei mesmo. Sei que em algum momentos não existe distância entre lá e cá, porque lá e cá são o que são, mas ainda assim podem andar juntos. Ás vezes, toda distância ca-la.
19 outubro 2012
a nova política
Cara ou coroa? Vivo ou morto? Oito ou oitenta? Céu ou
inferno? O senso comum, a cultura da afirmação, os jogos, a religião, enfim,
aquilo que compõe nosso imaginário fez e faz com que pensemos o mundo a partir
dessa configuração binária, antitética. No entanto, não é possível que ainda
hoje se consiga pensar tudo através desse prisma rudimentar entre afirmação e
negação, mesmo porque, olhando a fundo, entre cara e o coroa há todo o voo da
moeda e entre o vivo e morto há toda uma vida.
Em política, especificamente, a polarização faz parte do
jogo do mesmo. Uma dialética vazia que tenta nos fazer crer que nosso papel
está na escolha daquele que mais nos cabe ou na exclusão daquele que não nos
agrada. Então, pensar política, pelo menos na cabeça daqueles que mandam, é nos
dar a opção entre escolher qual deles que nós queremos por lá. Assim, tudo se
mantém e nós nos mantemos como membros não-participantes da política do lugar
em que vivemos.
O que afirmo aqui é: eu parto do pressuposto do não, da
negação, de não querer, de subverter, de blasfemar, de debochar, de desapoiar,
de ir de encontro a, de remar contra a maré, de pensar que entre os sins deles,
o meu não vale mais que qualquer outra coisa e, justamente por isso, não existe
nada de afirmativo nessa conjuntura e nada me fará pensar neles como solução.
Vejo que muitos pensam como eu. A verdade é que a política
está mudando, o que não mudou, AINDA, foram os políticos. Não é possível que um
filhote do poder seja criado, enquanto que um sanguessuga, como mosca numa
carniça, esteja novamente a procura de seu quinhão.
Vamos à uma nova política, do debate, da participação, da
rua, da ausência de dinheiro, da consciência, do sorriso e, também, por que
não, da brincadeira. A nova política é
democrática não porque a democracia deve ser algo a perseguir, mas porque a
verdadeira democracia existe numa prática menor, das pequenas escolhas e dos
pequenos gestos gentis de um para com o outro. E que esse gesto se multiplique
e que vivamos momentos de melhor sorte e melhor chance e melhor sonho.
Política é coisa pra gente grande sim, mas todos sabemos que
pra um bom coração é preciso, pelo menos um pouco, parar de crescer.
Marcadores:
blasfemar,
democracia,
nova política,
senso comum,
sonho,
subversão
09 outubro 2012
a morte
queria me matar
pulei da janela
era sonho, não morri
apesar disso, acordei
e me senti caído
morto, des-anjo.
não resisti,
me matei:
renasci.
pulei da janela
era sonho, não morri
apesar disso, acordei
e me senti caído
morto, des-anjo.
não resisti,
me matei:
renasci.
02 agosto 2012
o sonho e a noite
às vezes eu sonho com a noite
em que os sonhos e as noites
sejam vezes demais
pra serem só noites e sonhos
às vezes eu fuço fundo
e falo de cada instante
às vezes fixo um ponto
e fabrico um outro distante
às vezes os fatores da vida
os factoides dos outros
as falácias dos tontos
viram vezes demais
é quando fuço fundo
fico fora, fixo, falante
e facilmente me entorto
é que nunca
nem um pouquinho
um bocadinho de carinho
me tira do caminho
de te fazer sorrir.
em que os sonhos e as noites
sejam vezes demais
pra serem só noites e sonhos
às vezes eu fuço fundo
e falo de cada instante
às vezes fixo um ponto
e fabrico um outro distante
às vezes os fatores da vida
os factoides dos outros
as falácias dos tontos
viram vezes demais
é quando fuço fundo
fico fora, fixo, falante
e facilmente me entorto
é que nunca
nem um pouquinho
um bocadinho de carinho
me tira do caminho
de te fazer sorrir.
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