todas as palavras que me disse estavam ocas.
construí tabas,
inventei enchentes,
afinei silêncios.
e de repente não sabia mais o que fazer sem falar.
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03 abril 2013
21 março 2013
parece que sou
e eis que tudo desaba
e o mundo que não tem canto -
que não tem aba -
inventa metáfora pra explicar o inexplicável.
eu pulei o muro, saí de casa, sorri e me matei.
que explicação tem?
que dizer pros meus pais,
pros meus amigos
e pra quem diz me amar?
nada
e nem graça tem.
e tudo desaba em água
e só o que a gente pensa é nos outros
e na gente que é os outros
e nos outros que são a gente.
e puta, que merda
que fedor que é viver.
parece que voltei pro caixão
parece que sou micróbio
parece que larva
parece que lava
parece que sou terra
parece que souterrado.
e o mundo que não tem canto -
que não tem aba -
inventa metáfora pra explicar o inexplicável.
eu pulei o muro, saí de casa, sorri e me matei.
que explicação tem?
que dizer pros meus pais,
pros meus amigos
e pra quem diz me amar?
nada
e nem graça tem.
e tudo desaba em água
e só o que a gente pensa é nos outros
e na gente que é os outros
e nos outros que são a gente.
e puta, que merda
que fedor que é viver.
parece que voltei pro caixão
parece que sou micróbio
parece que larva
parece que lava
parece que sou terra
parece que souterrado.
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