as pessoas jogam futebol por aí
eu leio Fausto trancado em casa
outros vibram com os carros barulhentos
eu choro só porque uma pessoa chorou.
aí eu acho que sou tão diferente
e me encanto com a cor do sol do céu
e percebo como sou óbvio e careta:
o que vejo todo dia não deveria me surpreender.
aí eu falo de poesia, penso em poesia
atravesso a rua em poesia
e desencontro o que mais quero em poesia.
é que não faz sentido que o mundo concorde
ou que os outros concordem
ou que faça sentido o que nem sei se é caminho
sei que atravesso a noite
raras vezes o dia
nunca a manhã
e tenho vergonha de tudo que faço
não quero ganhar nada,
não joguei
não faz diferença se sou feliz
porque a vida é boa
ou simplesmente porque não sei.
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07 agosto 2012
02 maio 2012
DRAMA
em um átimo
Um ator gordo e careca está sentado em uma cadeira no canto esquerdo do palco. Chora por 5 minutos. Interrompe-se, toma Ar por 30 segundos. Chora por mais 5 minutos. Interrompe-se, toma ar por 1 minuto. Lê:
Venho por meio desta informar que a diligência que me levava a crer que meus fins justificavam meus meios caíram por água abaixo quando recorri a uma opção não muito didática e justa de aplicar meus métodos de utilização e transformação da plataforma que usávamos outrora enquanto aquilo que era uno podia ser considerado duplo. E que, por conta disso, me sinto profundamente movido a transformar meu gesto e me redimir de qualquer tipo de contratempo que possa vir a ter causado em sua subjetividade, inatividade, inoquidade e inexoralibidade. Sem mais, despeço-me com os mais afetuosos acenos à distância.
Chora por 5 minutos. Interrompe-se, toma ar por 30 segundos. Chora por mais 5 minutos. Interrompe-se, toma ar por 1 minuto. Escuridão.
Um ator gordo e careca está sentado em uma cadeira no canto esquerdo do palco. Chora por 5 minutos. Interrompe-se, toma Ar por 30 segundos. Chora por mais 5 minutos. Interrompe-se, toma ar por 1 minuto. Lê:
Venho por meio desta informar que a diligência que me levava a crer que meus fins justificavam meus meios caíram por água abaixo quando recorri a uma opção não muito didática e justa de aplicar meus métodos de utilização e transformação da plataforma que usávamos outrora enquanto aquilo que era uno podia ser considerado duplo. E que, por conta disso, me sinto profundamente movido a transformar meu gesto e me redimir de qualquer tipo de contratempo que possa vir a ter causado em sua subjetividade, inatividade, inoquidade e inexoralibidade. Sem mais, despeço-me com os mais afetuosos acenos à distância.
Chora por 5 minutos. Interrompe-se, toma ar por 30 segundos. Chora por mais 5 minutos. Interrompe-se, toma ar por 1 minuto. Escuridão.
02 janeiro 2012
videotape
eu queria fazer um texto com dois objetivos: 1 - falar sobre o tempo. 2- ser capaz de fazer chorar. Então peço que quem me ler que coloque ao fundo a canção "videotape" do radiohead. O link está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=eNY3zTWDs9s
O tempo é bruto, é violento, único, mas apesar disso a vida funciona em videotape, funciona com um tempo visceral, caótico e não poético sendo incidido por vários momentos de nossa vida ao mesmo tempo. Sou capaz de estar em três ou quatro momentos agora, um aqui de short, sem camisa, banho tomado, cabelo ainda não penteado, outro na cama curtindo um momento de romance, nas horas que o eu te amo escapa entre suspiros, um outro passeando na praia com meus pais num dia em que saí de mãos dadas com minha mãe sem ter vergonha de o fazer e um outro em que sofrendo fui sozinho ao cinema e assisti um filme que me faz cair lágrimas tão pesadas que doíam pelo meu corpo. E estando nesses quatro lugares tenho saudades de todos, menos do de agora. Isso é o tempo.
O videotape não reprisa nada, ele reencena a vida, reescreve o mundo, reestrutura as palavras, os gestos e os sentimentos. Não há nada que não seja novidade e o tempo faz questão de que isso apareça a todo instante como um reflexo no espelho que se mexe e se mexe e se mexe, às vezes sem nem a gente saber que ele vai se mexer.
O choro. O choro e o tempo. Só o tempo é capaz de fazer chorar. Tem aquele primeiro choro, de emergência, o choro que te toma, que dá um sopapo na tua cara e você adora se jogar e deitar no outro da pessoa que te faz chorar pensando que queria morrer ali chorando, mas nunca perder a capacidade do choro. Tem o segundo choro, aquele distante, lágrimas por ninguém, diz hebert, cry for no one, dizem os beatles. Choro antigo, passado no século passado nas nossas vidas, mas que quando a gente senta e lembra, dos 4 momentos, juntos, os tempos todos, ele vem quase como um cansaço, e descansa, alcança a gente antes do fim do mundo e libera a paz.
O ano começa e com ele várias boas coisas, novas esperanças, novos jeitos de ver o mundo. Mentira. Sei lá, também, sei lá. É bom dizer sei lá, porque às vezes, né? Sei lá. Eu sei do choro e do tempo. Choro muito menos do que deveria, vivo muito menos o tempo como deveria. Uma chuva me prende em casa. Acho que esse final de texto está como eu gostaria, parado, preso no sem fim da linguagem, onde se abriga de um lado a escrita, forjando um tempo e as lágrimas presas em algum lugar de mim que nem sei. Ou sei. Sei lá. Que a vida seja um eterno videotape de novas imagens. Que o passado seja em tempo real.
O tempo é bruto, é violento, único, mas apesar disso a vida funciona em videotape, funciona com um tempo visceral, caótico e não poético sendo incidido por vários momentos de nossa vida ao mesmo tempo. Sou capaz de estar em três ou quatro momentos agora, um aqui de short, sem camisa, banho tomado, cabelo ainda não penteado, outro na cama curtindo um momento de romance, nas horas que o eu te amo escapa entre suspiros, um outro passeando na praia com meus pais num dia em que saí de mãos dadas com minha mãe sem ter vergonha de o fazer e um outro em que sofrendo fui sozinho ao cinema e assisti um filme que me faz cair lágrimas tão pesadas que doíam pelo meu corpo. E estando nesses quatro lugares tenho saudades de todos, menos do de agora. Isso é o tempo.
O videotape não reprisa nada, ele reencena a vida, reescreve o mundo, reestrutura as palavras, os gestos e os sentimentos. Não há nada que não seja novidade e o tempo faz questão de que isso apareça a todo instante como um reflexo no espelho que se mexe e se mexe e se mexe, às vezes sem nem a gente saber que ele vai se mexer.
O choro. O choro e o tempo. Só o tempo é capaz de fazer chorar. Tem aquele primeiro choro, de emergência, o choro que te toma, que dá um sopapo na tua cara e você adora se jogar e deitar no outro da pessoa que te faz chorar pensando que queria morrer ali chorando, mas nunca perder a capacidade do choro. Tem o segundo choro, aquele distante, lágrimas por ninguém, diz hebert, cry for no one, dizem os beatles. Choro antigo, passado no século passado nas nossas vidas, mas que quando a gente senta e lembra, dos 4 momentos, juntos, os tempos todos, ele vem quase como um cansaço, e descansa, alcança a gente antes do fim do mundo e libera a paz.
O ano começa e com ele várias boas coisas, novas esperanças, novos jeitos de ver o mundo. Mentira. Sei lá, também, sei lá. É bom dizer sei lá, porque às vezes, né? Sei lá. Eu sei do choro e do tempo. Choro muito menos do que deveria, vivo muito menos o tempo como deveria. Uma chuva me prende em casa. Acho que esse final de texto está como eu gostaria, parado, preso no sem fim da linguagem, onde se abriga de um lado a escrita, forjando um tempo e as lágrimas presas em algum lugar de mim que nem sei. Ou sei. Sei lá. Que a vida seja um eterno videotape de novas imagens. Que o passado seja em tempo real.
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14 outubro 2011
o choro e a água
Choro debaixo do chuveiro pra não ver minhas lágrimas
e saio do banho com o corpo e a alma lavada;
Seco tudo com a toalha.
e saio do banho com o corpo e a alma lavada;
Seco tudo com a toalha.
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