todas as palavras que me disse estavam ocas.
construí tabas,
inventei enchentes,
afinei silêncios.
e de repente não sabia mais o que fazer sem falar.
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03 abril 2013
25 março 2013
arta
cansei de falar em palavras
pro inferno a poesia e o inferno
deixa de ser bolha e vai pra vida
e faça com que a arte arta
pro inferno a poesia e o inferno
deixa de ser bolha e vai pra vida
e faça com que a arte arta
20 outubro 2012
anti poesia de amor
nenhuma poesia de amor
pode ser escrita com boas palavras
bons momentos e bons pensamentos.
toda poesia de amor,
antes de tudo,
não é amor.
porque amor, quando é,
não dá tempo de poesia
filosofia, corpo, pensamento
alma, empada, tristeza.
nenhuma poesia de amor
dá conta do amor.
e nenhum amor dá conta
de tanta poesia.
quem ama com poesia
sempre paga
a conta
do fim
do amor.
pode ser escrita com boas palavras
bons momentos e bons pensamentos.
toda poesia de amor,
antes de tudo,
não é amor.
porque amor, quando é,
não dá tempo de poesia
filosofia, corpo, pensamento
alma, empada, tristeza.
nenhuma poesia de amor
dá conta do amor.
e nenhum amor dá conta
de tanta poesia.
quem ama com poesia
sempre paga
a conta
do fim
do amor.
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10 janeiro 2012
palavras extraordinárias
não existem mais palavras extraordinárias
todas são xulas, nulas, bulas, gulas, fulas,
e todas as intenções são más,
nenhuma delas, palavras ou intenções,
tem um fim divino porque o divino fim
é final demais pra ser adivinhado
pelo homem vivo.
o divino é de vinho demais,
dividido demais,
distraído demais,
e no mais, ademais, por detrás
daquilo que faz
a palavra comum, qualquer uma
isopor, televisão, cachorro quente,
bolsa de valores, prego, constituição,
qualquer uma delas serve a coisa nenhuma
serve a não, a nunca, a nada, a niente
a necessidade de ninguém para fim nenhum
e antes que o fim seja final que seja o início
do meio pra se chegar na tentativa da possibilidade
da incerteza da estrada do processo do caminho
e nenhuma palavra é extraordinária mais
só as intenções são grandes
e más.
entre o sentido, o sentindo e o não sentimento
existe o pedacinho do amor do céu
do amor do cão
do amor do ódio que ama amar o amor que odeia
existe a qualidade da não caridade que é o amor ao próximo
vítima da saudade que deveras sente pelo ser
não existem palavras extraordinárias
não existe nada demais
mas existe alguma coisa que eu não sei.
todas são xulas, nulas, bulas, gulas, fulas,
e todas as intenções são más,
nenhuma delas, palavras ou intenções,
tem um fim divino porque o divino fim
é final demais pra ser adivinhado
pelo homem vivo.
o divino é de vinho demais,
dividido demais,
distraído demais,
e no mais, ademais, por detrás
daquilo que faz
a palavra comum, qualquer uma
isopor, televisão, cachorro quente,
bolsa de valores, prego, constituição,
qualquer uma delas serve a coisa nenhuma
serve a não, a nunca, a nada, a niente
a necessidade de ninguém para fim nenhum
e antes que o fim seja final que seja o início
do meio pra se chegar na tentativa da possibilidade
da incerteza da estrada do processo do caminho
e nenhuma palavra é extraordinária mais
só as intenções são grandes
e más.
entre o sentido, o sentindo e o não sentimento
existe o pedacinho do amor do céu
do amor do cão
do amor do ódio que ama amar o amor que odeia
existe a qualidade da não caridade que é o amor ao próximo
vítima da saudade que deveras sente pelo ser
não existem palavras extraordinárias
não existe nada demais
mas existe alguma coisa que eu não sei.
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