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07 agosto 2012

simplesmente

as pessoas jogam futebol por aí
eu leio Fausto trancado em casa
outros vibram com os carros barulhentos
eu choro só porque uma pessoa chorou.

aí eu acho que sou tão diferente
e me encanto com a cor do sol do céu
e percebo como sou óbvio e careta:
o que vejo todo dia não deveria me surpreender.

aí eu falo de poesia, penso em poesia
atravesso a rua em poesia
e desencontro o que mais quero em poesia.

é que não faz sentido que o mundo concorde
ou que os outros concordem
ou que faça sentido o que nem sei se é caminho

sei que atravesso a noite
raras vezes o dia
nunca a manhã
e tenho vergonha de tudo que faço

não quero ganhar nada,
não joguei
não faz diferença se sou feliz
porque a vida é boa
ou simplesmente porque não sei.



01 outubro 2011

Futebol: A Insustentável Necessidade de ser Ídolo



A vantagem de ter apenas 26 anos é que, ao falar de futebol, o saudosismo não me invade, nem a memória cria subterfúgios falsos para análise. Imortal, para mim, no futebol é somente Romário e todos os outros são apenas candidatos do futuro. O que me reservo a dizer é apenas uma impressão do passado. Pelo que me parece, jogar futebol era mais que uma vocação, uma inclinação pessoal do jogador. Sem mistificação, a maioria deles não sabia fazer muitas outras coisas: não tinham estudo, não possuiam grande eloquência nas artes ou no discurso e o futebol era a maneira popular de expressar uma arte, uma inclinação pessoal para a beleza. E assim, jogava-se bola como um poeta: boêmio, malandro e transgressor, fazendo da bola um parceiro das peripércias inesquecíveis por uma platéia voraz.
Faço um salto para olhar um fato específico: a necessidade dos jogadores da atualidade em se tornarem ídolos. Jogar bola sim, se divertir com ela também, mas antes de tudo é preciso ser ídolo. A permanência de Neymar no Santos nada tem a ver com futebol, dinheiro, status, mas sim com a vigência de vir a ser um ídolo em seu clube e ver seu nome figurado ao lado de Pelé. Ronaldo, ao deixar a possibilidade de jogar no Flamengo e ao aceitar a proposta do Corinthians, percebeu que no seu time do coração, onde realmente poderia ser ídolo, já havia muito de sua vida pessoal com incidentes pessoais, problemas, histórias e controvérsias. No Corinthians, torcida apaixonada, ele reviu a possibilidade de recomeçar a construção de uma imagem de ídolo, agora nova e que se perpetuaria para a eternidade do clube. Esse fato chega a me espantar, como se Ronaldo, com o futebol que possui, precisasse realmente disso para ser um ídolo. Até a escolha de Adriano pelo Corinthians, após ter sido taxativamente negado pelo Flamengo, é a única possibilidade que ele vê de jogar bola e, ainda sim, ser visto como ídolo.
Esse fato tem se sudecido por tantas vezes que o que vemos são ídolos forjados, fracos, sem idolatria, a não ser aquela forçada pela impressa e atestada pelos tolos apaixonados. Tanto que alguns ídolos chegam até a renegar o status de tal, como Zico ao ver que seu nome acaba por se sujar ao ser colado à seu clube de coração. Poucos sabem se colocar na posição de ídolos e representantes como Rogério Ceni e Marcos; a maioria, buscando uma idolatria a qualquer custo, se rende a uma falsa masturbação de notícias com seu nome, elevando-o à status que nem ele mesmo pode prever e previnir, fazendo do nosso futebol um enorme berço de ídolos de segunda, fracassados, que caminham para finais de carreira triste, em que foram pouco ídolos em muitos clubes e amados apenas pelos tolos, nunca por aqueles que vem o futebol como a maior manifestação da beleza.

28 julho 2011

O flamengo, o futebol.






No decorrer da minha breve-longa vida já fiz muitas homenagens ao Flamengo. Parece-me, no entanto, que é sempre pouco, sempre menos do que ele me dá. Talvez porque paixão não se explica e não se homenageia, talvez porque eu nada pedi dele e porque ele nunca me pediu pra ser gostado. Acontece o que acontece e nossa parceria é eterna e eu preciso falar disso.
Quando meu time entra em canto parece que estou numa batalha e os jogadores são gladiadores que entram em canto pra defender a honra de um país. Parece que ouço trombetas soar e escuto a marcha da companhia e eu, do meu lado, mesmo que longe, preciso apoiar, preciso apontar meu coração pra eles, a fim de que tudo corra bem e que saiamos vitoriosos.
Aí acontece às vezes, bem às vezes, do Flamengo tomar um gol. Olha, minha cara vai lá embaixo, quase me sinto derrotado. Tento não ver o gol, tento não falar. Parece que resumo minhas necessidades físicas ao básico pra que aquele sentimento passe rápido e volte a ser aquele anterior, da luta, da batalha, da raça...
Mas quando meu time faz um gol...aah, quando ele faz um gol é a maior alegria do mundo. Salto da cadeira, pulo grito, soco parede, abraço quem estiver por perto e grito gol como se fosse meu e louvo o artilheiro como se fosse um rei. Aquele momento pequeno, fugidio, etéreo fez as maiores alegrias da minha vida. Ouso dizer que o Flamengo nunca me abandonou, nunca me decepcionou. Uma vez, em um título, liguei pra casa chorando, falei com minha mãe e ela: “calma, meu filho, calma.” Ela entendeu, ela entendeu o que quase ninguém entende. O futebol é irracional, por isso, belo. O futebol é um espetáculo teatral, é o melhor teatro do mundo. É o que o teatro, o cinema e a literatura tentaram ser e não conseguiram e o Flamengo...o Flamengo é o maior gênio, o ídolo, a estrela dessa grande arte. A primeira no meu coração, a primeira no meu país Brasil. Alienante? Alienante é parar de falar e pensar, enquanto houver gente falando, gente pensando, o futebol vai ser uma paixão. E quem vai dizer que paixão acaba rápido?