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12 novembro 2012

o que eu nem sei

parece que não sei escrever mais coisas novas ou as antigas ficaram pesadas demais só resta então uma frase assim sem ponto nem beira nem encanto pra tentar dizer o que eu nem sei

20 agosto 2012

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Não tira da cabeça a lembrança dos olhos dela, mas até quando? Não repara, e acha até que já falou com ela na profundidade desse olhar. Não acha que olhares devem ser fundos e te buscarem pra dentro, prefere que o olhar seja exatamente como o dela: profundo, mas que pulsa pro lado de fora, cheio de vida, graça e encanto. Aos poucos, no entanto, a lembrança do olhar vai se esvaindo e ficando apenas aquilo que lembra de ter visto e na semi-vontade de reve-lo mesmo que agora já sem tantos motivos.
Não tem interesse por encontros furtivos ou desencontros espetaculares porque baseou toda sua vida na ideia da preguiça, da sinceridade, da paz e da cumplicidade. O jogo do time num domingo a tarde é um dos anseios mais altos, assim como as tardes dedilhando músicas repetidas, ou lendo livros, brincando com o gato ou simplesmente vendo a vida passar. As coisas que escreve nunca as faz pra conquistar ou comover ninguém: usar um talento pra qualquer tipo de conquista é um ato covarde de vandalismo com a possibilidade de sentimento do outro. A arte deve ser a manifestação mais profunda (e cheia de vida, de graça e encanto como o olhar dela, mas acho que isso já ficou claro) de uma retidão de caráter, de uma gentileza para si e para o outro e uma forma de reencantar mundo.
O mundo que parece tão frágil e seco deve ser reencantado por aqueles que tenham talento e possibilidade para tal. Quando vê alguém que usa da arte para seduzir, como em uma banda, numa canção ou arte, uma pose ou poesia percebe na hora a violência do gesto. Entristece e quase desiste de escrever novamente. Não o faz.
Acontece que aos poucos a lembrança do olhar dela vai de desfazendo como uma chuva de verão, um pombo atropelado no asfalto quente, uma foto que amarela na estante. Não lamenta. A vida é assim, a vida é doce e está tudo bem. Seu time melhora, sua cerveja continua quietinha, a preguiça lhe faz companhia e os livros ainda lhe fazem viajar. Quando a vida expõe suas pequenas tragédias, dá um sorriso e entende que é assim que tem que ser. O gosto de experimentar as nuances da vida é sempre bom. Ele não pode fazer nada em relação à nada e, no fundo, ele sabe...nem ela.

24 maio 2012

taco


Dois caras em um foco no canto da cena.

1 – Eu não vou falar isso!
2 – E por que não?
1 – Porque não. Porque só querem que eu fale o que a tradição manda, mas sabe em que a tradição manda? Em quem deixa que a tradição mande e eu não quero deixar que a tradição me mande, então não vou falar o que a tradição manda.
1 – Você anda com uns modos muito esquisitos de falar.
2 – É o que estava escrito!
1 – Então você assume que você fala o que está escrito.
2 – Sim.
1 – Tudo?
2 – Tudo.
1 – E isso agora estava escrito?
2 – Estava sim.
1 – Não estava não.
2 – Estava sim.
1 – Como você tem tanta certeza?
2 – Porque eu só falo o que estava escrito. Você sim?
1 – Eu também, falo exatamente o que estava escrito.
2 – E se a gente...é...tentasse, uma só vez não falar o que estava escrito?
1 – Será que a gente consegue?
2 – Não sei.

O 1 se afasta. Vai até a outra ponta do palco.

1 – Sabe como poderíamos fazer?
2 – Como?
1 – Falar algo assim, repentino que vem a cabeça.
2 – CHOQUE!
1 – O que?
2 – É o que me veio à cabeça: choque.
1 – Estava no texto?
2 – Não sei, acho que sim.
1 – Precisamos enfrentar isso.

Agora o 2 troca com o 1 e vai até a ponta do palco.

2 – Tenta você.
1 – O que?
2 – Falar a primeira coisa que...
1 – MOSTARDA.
2 – Oi?
1 – Falei.
2 – O que?
1 – A primeira coisa que vem a cabeça.
2 – E é mostarda?
1 – É.
2 – Por que?
1 – Não sei. Não posso dizer. Estava no texto?
2 – Acho que sim. Pelo que me lembro sim.
Os dois caminham. Pensam.

1 – Acho que sei o que a gente precisa.
2 – O que?
1 – Esquecer o texto decorado.
2 – Mas como?
1 – Sei lá. Perder a memória. Um bate na cabeça do outro e puf, esquece.
2 – Será que funciona?
1 – Podemos tentar.
2 – Mas calma...será que isso estava no texto?
1 – Acho que sim, mas talvez dê certo.

Os dois saem, cada um para um lado. Voltam cada um com um taco de baseball. Batem um na cabeça do outro, ao mesmo tempo. Os dois caem. Levantam. Se olham, estão zonzos, tentam falar alguma coisa. Não se lembram. Escuridão.

05 setembro 2011

vazio

Faz quase um mês que não posto no blog. Entrar nele hoje e olhar me deu uma sensação de vazio, senti vontade de escrever, filosofar sobre qualquer coisa ou simplesmente preencher aquele vazio. Depois pensei que não, que era ruim preencher o vazio, que estamos acostumados demais a não aceitar pequenas partes incompletas em nós e nunca aceitamos fracassos ou perdas e enchemos alguém de palavras, insultos, ou simplesmente, barulhos.
Pensei no valor de não escrever hoje.


Mas escrevi.

03 agosto 2011

poucas palavras

eu queria escrever com poucas palavras
mas só consigo escrever pouco
com muitas palavras.