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20 fevereiro 2013

Oscar 2013 - Os melhores

Após assistir todos os filmes candidatos ao Oscar, pelo menos os candidatos a Melhor Filme, resolvi fazer um Top com eles:


1- Indomável Sonhadora


O melhor filme. Sensível, belo e forte, mostra uma menina de 6 anos em um universo absolutamente hostil, intercalando seu imaginário com a conturbada relação com seu pai. Merecia o Oscar e poderia facilmente ganhar uma vez que se mantém nos moldes que a academia adora.


2 - Amor

Haneke faz uma bela obra poética sobre o amor e o envelhecimento. Ao mostrar-se mais humano, mais esperançoso e menos violento conseguiu um equilíbrio que lhe levou direto ao Oscar. Sinto-me mal ao falar desse filme porque creio que tudo que fez "Amor" ser candidato é devido a um enfraquecimento da força do diretor. Fora isso, está longe de ganhar como Melhor Filme. Deve ficar com a estatueta de Filme Estrangeiro.


3- Django Livre



Tarantino completa sua trilogia da vingança agora dando voz aos negros. Irreverente e debochado, o diretor tem mostrado cada vez mais um lado político em suas obras e por isso vem crescendo como candidato a prêmios, apesar disso o Oscar ainda está longe: a academia quer alguém que celebre seu cinema, a ironia de Tarantino que volta para si e para o cinema americano gera um abismo entre ele e as estatuetas. Deve ganhar como Roteiro Original.


4- As Aventuras de Pi


Lee faz um filme exemplar. A trama fabular e parabólica é tão poetica, simples e potente que não se sabe se está em um filme mesmo ou se retornou a infância para ouvir as histórias de Crusoé. Pi e seu Tigre formam uma das mais interessantes duplas do cinema, lutando pela sobrevivência à partir da convivência. No fim, uma despedida da fábula, a dúvida, o fim da obra. Merece e pode ganhar o Oscar, mas dificilmente será lembrado.


5- O Lado Bom da Vida

Drama com formato de comédia ou comédia em forma de drama, a obra consegue mesclar a loucura de um ser em recuperação com sua família desajustada, indo de encontro a um novo amor, também pautado por uma espécie de loucura. A empatia, a complascência, a vontade de ajuda-los em meio à risadas é inevitável. Talvez seja o filme que mais recomendaria para um público comum: mantém as fórmulas tradicionais, mas escapa delas por pouco, gerando tensão.


6- Os Miseráveis

Musical no sentido clássico: caro, pomposo, gritado com emoções exageradas e excesso de cores para contar a bela história do poeta romântico Victor Hugo. Baseado no musical homônimo da Broadway, não consegue em tela o mesmo impacto que deve haver no teatro. Fica parado, dá preguiça. Dará o Oscar de Atriz Coadjuvante para Hathaway.


7- Argo



Aflleck avança, mas ainda faz um filme fraco. Uma mistura de gêneros que não se concretiza, como se várias flechas apontassem para vários lados, mas na prática quase não se sai do centro. Vale por cinco minutos de tensão finais quando todas as energias se concentram na fuga dos refugiados. Apesar de nada ter a dizer sobre o filme, que achei "comum", é o favorito ao Oscar de melhor filme. Lamento por isso.


8- A Hora Mais Escura

Depois de Guerra ao Terror, Bigelow se manteve igual: faz filmes sobre guerras, frios, pautados nas estratégias de guerra e mais nada. É americano e acredita no poder bélico de seu país. Tenta trazer algum grau de crítica à ação, mas a obra cinza, poeirada, se torna praticamente um fardo para quem tenta assistir. Não via a hora de Bin Laden morrer pra seguir minha vida.


9 - Lincoln

O bonequinho não sai, mas eu saio. Spielberg podia parar pra sempre e vender quibes em domicílio.

23 janeiro 2013

Os Miseráveis (2013)


A resenha de hoje fica a cargo de “Os Miseráveis”, adaptação para o cinema do musical da Broadway que por sua vez também é uma adaptação da célebre obra homônina do francês Victor Hugo. Assumo que relutei em escrever sobre o filme, fiquei com preguiça e quase me silenciei frente ao que teria de enfrentar para tal. Porém, vamos lá.
A obra gira em tonro de Jean Valjean (Hugh Jackman) que é preso por ter roubado um pão. Na tentativa de, depois de solto tentar retomar sua vida e tornar-se um homem de bem, é perseguido por Javert (Russell Crowe). A história conta também as batalhas pela liberdade do povo francês pela opressão daqueles que assumiram o poder na pós-Revolução francesa. Aparte isso estão os dramas pessoais de Fantine (Anne Hathaway) e sua filha Cosette (Amanda Seyfried ), entre outros.
Pode-se dizer que é um musical no sentido mais clássico do termo, com a diferença de que, nesse caso, o filme é 90% cantado e quase nada falado. As personagens são rasas da maneira Broadway/Hollywood, as imagens, planos, paisagens são lindas, as roupas maravilhosas e de resto muito pouco se apresenta. Despontencializa-se qualquer tipo de tensão para colocar em cena a redenção de um homem que deve fazer o bem e se redimir de todas suas falhas. Acredita-se na humanidade forçando uma epifania e uma catarse artificiais. O filme é cheio de mortes e despedidas, todas felizes, todas mais começando ciclos que encerrando vidas.
Bom, pensar esse filme na perspectiva do Oscar? Sem muitas pretensões para nada, pode no máximo dar o prêmio de melhor ator para Jackman, que tem se mostrado bom ator, o que fica praticamente impossível frente ao também chato Lincoln de Day-Lewis, inventado para o prêmio. Fora isso gostaria de destacar a falta de talento de Russel Crowe. Como disse Veríssimo, inspiradíssimo, Crowe é o ator com dois personagens: sem chapéu e com chapéu.
“Os Miseráveis” serve aos velhos e aos hiper-encantados. Serve também aos fãs de alegorias de escolas de samba.

Última digressão: "Lute", "sonhe", "espere", "ame" em um cartaz de divulgação é difícil de aguentar.