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11 julho 2012

cazuza

fazer poesia como se você ia achar um saco?

aposto que ia pedir pra eu te pegar um uísque
citar um bukowski,
pegar o violão e tocar um doors
e sair pelo leblon xingando os bunda-moles.

as pedras do arpoados iam servir de bungee jumping
pros nossos sonhos mais cretinos
e pros anseios mais baixos:
muito corpo e nenhuma alma.

nenhum beija-flor no seu Rio de Janeiro
nenhum cristo redentor as 7 da manhã na janela.
nenhum pensamento que não fosse
o de fazer de hoje
mais um dia sem fim.


25 março 2012

domingo no rio

O Rio aos domingos parece São Paulo. O aterro fechado pro trânsito com famílias andando de bicicleta e tricíclo me lembra os patéticos passeios que os paulistanos fazem nos viadutos. A cidade fica semi-vazia, triste. O que mais me irrita no Rio aos domingos é o excesso de casais com um aspecto absolutamente higienizado tomando sorvete do mc donalds de mãos dadas sem transarem os dedos. Aquelas caras de bunda mole com bermuda caqui e camisa polo e um vestido de domingo com uma sandalia rasteira.
Parece que todo burocrata chato usa o domingo pra tentar sorrir um bocadinho, mas não cola, não rola, fica falso, urbano demais. Algumas pessoas não deveriam sair nunca de seus escritórios, deviam se misturar aos seus processos e estantes e morar por ali. É que até caretisse tem limite e minha cara de sono, minha olheira, minha camisa do flamengo e minha ressaca são potencializados por esses sujeitos. Ainda bem que a semana sempre recomeça e eles se escondem e eu, continuo na mesma, na rua.