09 maio 2006

Amor s

Amor s. m.,

viva afeição que nos impele para o objeto dos nossos desejos;
inclinação da alma e do coração;
objeto da nossa afeição;
paixão;
afeto;
inclinação exclusiva;

Não, o dicionário não entende de amor. A denotação não tem a menor capacidade de formatar tal sentimento, e mesmo que tenha, ou que a tente, como aí em cima, a gente lê e na hora pensa: "não...isso não é amor." É porque amor é isso, mas também é muito mais. Ficar meia hora em silêncio, tocando de leve o queixo da pessoa amada, isso é amor e não está no dicionário. Ir dormir duas horas mais cedo que o normal, só para amanhã chegar mais rápido, sonhar com a pessoa, acordar uma hora mais cedo do que devia para o encontro e reclamar que ainda falta muito: isso é amor. Amor é aquela coisa que está entre o que a gente conhece e o que a gente não entende. Sabe quando a gente sabe exatamente aquilo que é, e aquilo que sente e aquilo que dói, daí vem alguém e pergunta: "que foi?" e faltam palavras? O amor está aí também. Porque palavra é linguagem, e linguagem é código, como código não comporta tudo que a gente tem dentro. Deus e toda definição dele é uma inutilidade, é uma inverdade máxima e o completo e total afastamento de deus. Falso sim, assim como o amor, mas muitas vezes vivo, forte e presente, porque no fundo, tudo se resume em a gente ser a gente mesmo. Amando ou não, com deus ou não.

Inclinação da alma e do coração; Minha alma se inclina por alguém? E meu coração? As formas são temporais, físicas, e a inclinação da alma e do coração requer viver em estado de paraíso, em estado de céu, para que assim, não se tenha o temor do tempo e do vento e da maré. O amor requer isso: uma certa quantidade de paz, para não cair em outros sentimentos que, de menos importantes, gritam muito mais dentro da gente. Inclinação de alma e coração é um pouco amor sim, mas é tão pouco amor. O amor está na sutileza dessa inclinação, está na sutileza da alma e na entrega do coração. Está no afeto, na gentileza e no carinho, nunca na pergunta vazia, nem na pergunta maldosa, mas na pergunta curiosa, daquele que quer virar ela, estar ela, ser ela. Virar um, o famoso clichê de "transformar-se na coisa amada, por virtude do muito imaginar".

A dúvida talvez seja, e o complexo, e o medo, e o a dor no rim esquerdo e a dor no pescoço de um beijo mal dado que a gente não consegue largar, que o amor não está nem perto de chegar a ser um pontinha de verdade. Ele não está em nenhuma dessas linhas, e depois de aprender a escrever, e de pensar tanto, e acima de tudo, amar tanto, para o bem e a para o mal, chegar a conclusão de que se está longe, bem longe do amor. Mesmo amando tanto e tão bem.

10/05/06
Luiz Antonio Ribeiro

27 abril 2006

vinte e quatro horas

"Não há porque voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez..."
Renato Russo

...aos poucos, junto com os primeiros raios de sol, ela foi se libertando do casulo. Aos poucos, a lagarta, que já era borboleta, ia se desfazendo de todo seu passado para um novo e breve futuro que se apresentava. Devagar, as asas foram se desprendendo do casulo, depois foi todo o pequeno e frágil corpo. Agora ela já era borboleta, mas não se movia, pois ser borboleta bastava. Agora ela era. O sonho de toda lagarta chegara.

Num silêncio da natureza, quase que mortal de tão nada silencioso, ela pela primeira vez mexe as asas. Foi um movimento de autoconhecimento. Apenas um chacoalhar. Porém, já mostrava suas cores: era linda, amarela, vermelha, com tons de marrom, mas não se podia precisar qualquer dominância entre as cores.

Depois de alguns minutos de sentir-se borboleta, ela movimenta-se de novo. Faz de uma maneira desajeitada, atabalhoada, mas segura. E quando menos se espera levanta vôo. Começa a conhecer tudo aquilo que sua intuição dizia existir, ou que então, algum descendente havia passado. Passeia por bosques, florestas, jardins, parques e folhagens. Passa por lindos lugares, experimentando essa sensação de voar, de observar o mundo e pela primeira vez, não ser observado. Sentia-se só, porém. Vivera sua vida só e agora que era linda, voava e tinha nela toda a maravilha da natureza, não podia permanecer assim. Alimenta-se e descansa em alguns lírios de um parque a hora do sol mais forte, e pouco depois sai em busca de companhia.

Nos bosques, encontra muitas borboletas, porém todas pareciam auto-suficientes e ignoravam seus apelos. Uma delas foge só de ouvi-la dizer: "você..." Descobre então, que não podia competir com aquele bosque, e vai-se para um parque. Lá encontra muita gente, correndo, andando de bicicleta, falando, gastando e comendo. Assusta-se com o tamanho da pessoa. Num canto, perto de um banco, vê um menino de calças curtas e camisa vermelha, sentado num banco com cara de choro. Aproxima-se, o posta-se ao lado dele. O menino olha, estica o dedo e a borboleta sobe em seu dedo. Ele olha para ela por alguns instantes e sorri, ela devolve-lhe o sorriso que ele não entende. Em instantes, ele tira o dedo e sai correndo em direção de alguns meninos. E a borboleta alça vôo de novo.

Num jardim, ela encontra apenas um beija-flor, que parece mal humorado e toma conta do local, ela tenta lhe dizer algumas palavras, mas ele parece nada sociável. Ela afasta-se e encosta próximo a alguns outros insetos. Todos excluídos. Havia ali, mosquitos, moscas e algumas mariposas, e ela a única borboleta, linda, sentindo-se só. Porém, os insetos incomodam-se com sua presença, e um a um voam para outro lugar e ela, tentando segui-los desiste e não vê para onde eles dirigem-se.

Anoitece, e a borboleta não está feliz. Nem triste. Está cansada. Sente um peso de uma vida que se tem e reclama de ter ganhado a vida que ganhou. Pois no fundo, ainda era lagarta, ainda era um ser como outro, ainda estava confusa. Não podia compreender essa metamorfose de nada a tudo, de feio a belo, não entendia ter que mudar por fora, quando a essência permanecia a mesma. Sem poder entender como era a vida de borboleta, ela enche-se de esperanças de poder descobrir isso nos próximos dias, já que estava borboleta a apenas algumas horas. Resolve então voltar para o casulo de onde saíra e lá, descansa. Dorme profundamente e ali fica para sempre. Mal sabia ela que borboletas só vivem vinte e quatro horas.

Luiz Antonio Ribeiro
01/07/05

07 abril 2006



Ela era a mais bonita da família. "Levem ela pra ser modelo", dizia uma tia velha insistente. Nada causava efeito até que a menina ganha o concurso de "Garota primavera" na escola. Disseram que ela possui talento, e a mãe resolveu, então, leva-la numa agência. "Claro." disse um olheiro olhudo, com as pupilas dilatadas, vendo dinheiro em seu futuro. A menina fez logo um book, e em pouco tempo já trabalhava para as principais empresas, ganhava um tanto de dinheiro que o olheiro deixava sobrar para ela, era cobiçava por muitos velhos tarados e invejada por alguns estilistas gays.

Fama, dinheiro, sucesso, beleza. Opa! O que todo mundo quer. Mas a menina não pediu nada, não perguntou nada e ninguém nunca chegou a se importar com o que ela pensava.

No entanto, ela continua andando e seguindo. Para onde? Para lá.

01 abril 2006



Não é por minhas mãos sujas de cansaço que me sinto abandonado. Não é por causa de minhas unhas sujas e roídas seguidamente, após crescerem insistentemente marcando o tempo que se esvai, que as vezes tenho impulsos de rebeldia. Não é por essas roupas velhas e por esse capacete que me esconde a cabeça e a inteligência que me sinto impelido a largar tudo e abraçar o inimigo. Nem é a saudade que quase sempre a noite me acorda do meu meio sono confuso que me faz pensar em desistir de tudo. Muito menos é por esse rifle, que em minhas mãos já causaram dor, mas que em minha companhia, já se fundiu em mim, criando um laço quase afetivo, que me lanço assim ao destino. De todas as dores, insistências, cansaços, sujeiras, descasos, mortes, infelicidades e saudades, o que mais me faz chegar no real sentido de onde eu posso estar é esse meu olhar.

Olhar que há muito já se foi, já não está em mim, já não reflete aquilo que sou, nem mesmo a radiante alegria de viver que tinha ao chegar aqui. "Defender a pátria" pensava eu. Um dia, talvez ele tenha visto que eu não defendo nada, apenas mato minha própria raça, a parte do mundo que é igual a mim. A gente não sabe construir uma coisa que está fora da gente.
Meu olhar, ou meu ex-olhar, perdeu o horizonte. Ele agora, vai solto, além dele mesmo, talvez viajando por campos, ranchos, bosques, parques, noites e dias. Não de paz, na minha utopia de vida, mas numa tranqüilidade serena de quem sabe que está vivo. Traze-lo de volta, talvez seja faze-lo sofrer um bocado mais, por isso ele se foi, e por isso eu deixei que ele se fosse. Ele já não dói.

À frente dele, uma trincheira que ele próprio não vê. Mas sei que ela existe, porque tenho a meu lado meus amigos. E por eles, meu pobre olhar enxerga. Meus companheiros de trabalho, de luta, ou cúmplices de nossos assassinatos contínuos em nome de alguma desconhecida paz. Ah, aventurado olhar que por perdido, ainda me mantém vivo.

Toca-se a trombeta, avisos de atenção. E em dois segundos estou a postos. Alinhamo-nos todos em fila, preparamos o ataque em alguém que em momento algum vai nos atacar. Sabedoria ou covardia? Já nem sei. Não fui trazido aqui para questionar. Corpo rígido, em forma. No lugar de um terço, aperto um pouco mais meu rifle, que torna-se quase sagrado, e sigo marchando. Entro num carro, me levam para outro lugar, onde em dois segundos começo a atirar. Levei um tiro? Isso é sangue? Caído estou, não tenho a noção exata, o barulho é alto e a correria também. Existe algum choro de criança por aqui talvez.

Não posso precisar nada, porque embora aqui esteja, meu olhar, que talvez seja minha alma, minha consciência, ou simplesmente uma parte minha perdida, já não está aqui. Sozinho, vaga por algum lugar bem melhor do que esse.

16 janeiro 2006

Ar-te

Genial por acaso
O feitor é reconhecido pelo que ele já não é
Tamanha é a ventura de uma primeira linha
Que o já sabido é desvio de sub-
consciência. Arte de quem não sabe
se é artista, o que é artista, e porque artista
Fazer por eletricidade e depois
Só poder reconhecer o fim da manifestação
Por vezes estética, outras tantas tecituras de idéias
O artista não faz arte, não tem nome
Quem o faz só o faz, sem saber
Há os que vivem, sem fazer e o são
Há os que não vivem porque o são
Há os que são sem ser.
No fim da linha do trem metafórico
somente há
E os artistas hão.

Luiz Antonio Ribeiro
16/01/06

12 dezembro 2005

joão

Era noite, joão andava pela rua sorrindo e assobiando uma canção, até que distraído, repara numa linda menina que cruza o seu caminho. Observando-a passar, repara nos detalhes de cada movimento dela, procurando por ali qualquer espaço para poder entrar. Nesse tempo que perdeu olhando sem parar de andar, acabou caindo em uma ruela escura, suja e abandonada. Tinha muita umidade, ratos passando e sussurros de dor. Não tinha saída, apenas uma linha amarelo florescente no meu do caminho. joão se aproxima da linha, quando uma voz, vinda do alto, com um som rouco de megafone diz:

-ao cruzar essa linha, você chega ao intangível, você chega ao impossível, você descobre a verdade, a inteligência e as cores do mundo.

Assustado, joão chega mais perto da linha, coloca seu pé próximo a ela e pergunta:

-É só cruzar a linha para chegar a tudo isso?

A voz forte, grossa e segura diz que sim. João, sem titubear cruza a linha. Aparece numa praça. Linda, gramada, com pessoas correndo e sorrindo. Ele está de mãos dadas com a moça que passara na rua. Estava apaixonado.

João nunca mais foi feliz.

Luiz Antonio Ribeiro
13/12/05

Esse texto tem uma sutil referência a um outro texto...descubram.

17 novembro 2005

Um capítulo de meu livro

XXI

Francisco entra no quarto e encontra somente a luz do abajur acesa. Regina está abaixada procurando alguma coisa em uma das gavetas. Ele se aproxima e se agacha pousando aos mãos na cintura dela. Ela sorri, sussurrando baixinho "o que você está querendo?". Ele fingi não ouvir, levanta-se e estende as mãos na direção da mulher. Ela agradece levantando-se. Lentamente, com as mãos dela pousada nas suas, ele as escorrega por suas costas, deixando as suas soltas para imitar o movimento, ela fecha os olhos por um segundo, como agradecimento à carícia. Ele aproxima-se beijando-a calorosamente. Ela sente os primeiros sinais corpóreos da excitação e interrompe o beijo, deitando sua cabeça no ombro dele que por sua vez começa a roças seus lábios na nuca dela. Com ela entregue, ele a leva na beira da cama e olhando-a percebe um gosto e um cheio agridoce no ar. A pele parecia pulsar, bolir, mover os corpos, expelindo hormônios.

Todo o ambiente parecia compor esse sonho, os tabus começavam a ruir. Os sentidos afloravam cheiros, sons, toques e fluidos. Ele passa suas mãos nas costas dela, primeiro por cima da blusa, depois em forma de carícia e mais lentamente, acha sua pele. Ela pousa a mão na parte interna da coxa dele. Ouvem-se sons, talvez música, talvez celeste. Novamente, os lábios se encontram num pedido. Outra vez, eles se distanciam num lamento. Olham-se, amam-se no olhar. O movimento das mãos dela revela, exprime a ação que ele aguardava, para suavemente, deita-la a cama. De baixo, ela clama que os sublimes e etéreos momentos universais venham e incorporem-se a esse amor que ela batalha todos os dias. Ele, pedia a Baco, que todos os amores dele se concentrassem somente nesse instante. Despem-se, acariciam-se, tornam-se um e de toda a ação em seu leito nupcial a vista é de apenas uma das mãos, que ela ergue, com os punhos cerrados, contraídos. Os movimentos ganham ritmo e assim como as peles, começam a pulsar, a bolir e a reclamarem-se cada vez mais. De olhos fechados, ou abertos, eles de longe vislumbram a perfeição. Encontram-se num campo azul e vermelho, quente, cheio de gente, suado, ventante.
Vêem flores cor de laranja, amareladas. Nuvens, amendoins, vozes. Pedidos, chamados, clamores. O ritmo acelera-se, cada vez mais e mais rápido, as pessoas encontram-se, falam-se e saem, o tempo esquenta, vão ficando os dois, sozinhos, despidos, vislumbrando todo a ação do mundo. Sentindo os prazeres fugazes, que todos os poetas sempre disseram existir. O êxtase está próximo, os movimentos da pélvis dele, esquenta os dela. Estão no fim, no começo do mundo, a pele já não basta, o corpo já não pensa, a mente, que mente?. Tudo é movimento, tudo é corpo, tudo é calor, é suor, é despudor, é amor, é pele. Um grito:

Mãe...vem cá.

Interrompem. Olham-se. Um beijo. Mas já é tarde. Ele penetra-a de novo e depois de alguns instantes, eles encontram Deus. O momento sublime do sexo. Orgasmo ou gozo. Juntos. Eles tinham razão, o céu é o limite.

Ele a beija, vira-se. Ela vai Ter com o menino no quarto ao lado.

Queria água, só. E o dia dormiu.

03 novembro 2005

Acho que sou eu

Minha mãe Édipiana
Achou um pai Vitoriano
E o casou catolicamente
Amaram-se a lá Baco
Esperaram como Penélope
E encontraram como Alice

E eu nasci como Clarice
Com uma festa de Dionísio
Que eu dormi à Cinderela
Onde sobrei como Estorvo

Assim, o pé de feijão cresceu
Porém, sem galinhas de ouro
No entanto, com muito de Eisntein
Nieztsche, Marx, Sartre
Agia como Dom Pedro, o primeiro
Ou como Cazuza, ou como Rimbaud
Fôra maldito um tempo...

Ora, a vida é juntar Josés
Um Silva daqui, ou Souza de lá
E aos poucos foi se formando um ser
Que com tudo isso, mais eu sozinho
Carente, sem Deus, com alma
Tornou-se um alguém
Um Luiz

Luiz Antonio Ribeiro
4/11/05

30 outubro 2005

O amor é camaleão

Cazuza diz: "O mundo é azul..qual é a cor do amor??"


Ziul_ disse:
qual a cor do amor?
1963 what's that sound? disse:
uhn?
Ziul_ disse:
qual a cor do amor?
Ziul_ disse:
vc sabe?
1963 what's that sound? diz:
verde

*** *** ***

Ziul_ diz:
qual a cor do amor?
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
tosa
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
rosa*
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
entao respondi errado
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
pq segundo o esoterismo
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
a cor do amor seria rosa
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
segunda as minha
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
crenças
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
o amor nao tem cor
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
ele eh colorido ao msm tempo por todas as cores
Morena { Juju Diesel } [Popu] ----- diz:
e todas despertam o msm desejo de amar

*** *** ***

Ziul_ diz:
qual a cor do amor?? responda-me
bitch diz:
azul
bitch diz:
;}

*** *** ***

Ziul_ diz:
qual a cor do amor??
Mari Mascheroni diz:
Rosa
Mari Mascheroni diz:
porque?
Ziul_ diz:
soh uma pergunta
Ziul_ diz:
isso eh o q vc acha?
Mari Mascheroni diz:
É o que é..vermelho é SAUDE
Mari Mascheroni diz:
pra mim tenho certeza q é rosa

*** *** ***

Ziul_ diz:
qual a cor do amor??
Lívia~.Amo. diz:
sei lá.
Lívia~.Amo. diz:
pqw?
Ziul_ diz:
qual a cor do amor?
Lívia~.Amo. diz:
=/
Lívia~.Amo. diz:
pqw karamba?
Ziul_ diz:
responde..pergunta simples
Lívia~.Amo. diz:
não tem cor

*** *** ***

Ziul_ diz:
qual a cor do amor??
Hibou Blanc diz:
cinza
Ziul_ diz:
obrigado

*** *** ***

Ziul_ diz:
qual a cor do amor??
......Dinhu...... diz:
a cor q vc quiser o amor e seu e a cor tb

11 outubro 2005

Eu não dou nome à minha vida...

Entre bandido. Não tenho armas aqui. Eu votei sim. Leve tudo, fique com tudo. Não preciso de nada disso para viver. Não tenho o seu desespero pelas coisas materiais.

Eu voto sim e essa discussão leva dias. Sinceramente, não vale a pena me defender. Não possuo nada que me seja indispensável. Minha vida, são cartas, que pouco a pouco, de risco em risco, sorriso em sorriso e dia a dia, vou perdendo. Não preciso dormir com medo de bandidos, porque tenho o coração de quem vive por amor a vida, não por medo da morte. Sobreviver não é necessário, viver sim. Se quiser vir aqui, me roubar e me matar, eu morro. Um dia o mundo há de parar de se matar.

Eu voto sim, porque na pior das hipóteses, o país entrara em caos. Bandidos invadirão casas, roubarão tudo, sairão matando e destruindo. O tráfico vai assumir o governo. O sistema se corromperá de vez e os valores se inverterão. O domínio do país, será de quem tem mais capital e de quem tem as melhores influências. Na escola, crianças cantarão: "Atirei o pau no gato to to...mas o gato to não morreu reu reu.. então peguei ei ei, meu três oitão ão ão...e dei um tiro, outro tiro, na cabeça do bichão. MORREU!" A rede globo apresentará Willian Boner com o discurso: "Felizmente, morre hoje o ídolo Chico Buarque, vítima de tiro, ao tentar ajudar uma criança." Enfim, esse caos em que o Brasil se transformará, talvez crie no povo finalmente, um sentimento ufanista. Nós nos juntaremos, todos, e juntos pegaremos pedras, pedaços de paus e iremos para as ruas, gritar, pedir, quebrar. Faremos a nossa revolução de paz, lutaremos pelo nosso sistema. Porque é no limite extremo de tensão é que se faz a transformação. Das duas uma, ou morreremos todos e não existirá povo para ser governado, ou nós mesmos assumiremos o poder, reconstruiremos nossa terra da forma que quisermos, com o sistema que nos parecer ideal, e assim, estaremos aptos a eliminar qualquer dos aproveitadores que venham a aparecer. Porém, toda essa hipótese não parece muito real, não é?

Eu voto sim, pelo sim. Tenho asco a arma. Sim, eu defendo a vida. Eu morro covarde, mas não morro empunhando uma arma na mão. Mesmo que eu fique vivo e mate o bandido, em que construo um mundo melhor?

Será que eu preciso tanto da minha TV, do meu computador, do meu dinheiro guardado, deus sabe para que?, será que o microondas, o forno, o ferro, a casa, o carro valem tanto assim? Será que minha vida é mesmo a coisa mais importante que eu tenho, a ponto de me fazer matar outro, que com certeza, ao contrário de mim, não nasceu com dinheiro, teve fome e passou por dificuldades que não justificam o seu ato, mas sim, são causas dessa conseqüência?

Talvez um dia a gente aprenda que o mundo não é a gente, mas sim, todo o resto menos a gente. Temos de pensar nesse todo, porque a gente não mata, mas o mundo sim. Sabedoria, nessa caso, é separar de si e ver o que é melhor para o país num futuro distante de 100 anos. O que será melhor? Que incentivemos a manutenção de mortes, ou que pouco a pouco, morrendo, salvemos a vida? Sim, porque as vezes, salvar a vida, também significa morrer.

19 setembro 2005

Amor em prosa moderna

"Dos nossos planos é que tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção.
Aonde está você agora
Além de aqui, dentro de mim?"
Vento no Litoral – Renato Russo



Ele gostou dela desde que passou a gostar. Ela gostou dele desde quando passou a ser gostada. Assim, foram se gostando como se gosta quando criança: correndo juntos no parque, escrevendo nomes ainda tortos em árvores, contando segredos aos amigos mais velhos e ao vendedor de pipoca, ajudando nas provas bimestrais, dando cola quando necessário, ficando junto sempre que possível. E desse modo, ele foi gostando e sendo gostado por toda a infância e pré-adolescencia.

O tempo que passa fez ele repetir de ano e mudar de colégio. O tempo que passa fez os telefonemas rarearem. O tempo que passa fez os encontros extinguirem-se. O tempo que passa fez as árvores com nomes serem cortadas e virarem mesas de bilhar. O tempo que passa fez ela mudar de cidade e não deixar contato. O tempo que passa fez ela deixar de gostar dele. O tempo que passa fez ele também esquecer dela.

Ficaram as referências. Ele para sempre teve como referência de mulher bonita todas as baixinhas branquelas de cabelos pretos e com algumas sardas, se possível. Tímidas, silenciosas, sarcásticas, de uma sabedoria calma. Mulheres que rissem, muito, mas nunca escandalosamente.

Pouco mais velho, chegando no Ensino Médio, ele gosta sem ser gostado de uma roqueira inteligente, rebelde, engraçada, tímida, maluca, quase sem rumo na vida, ou um rumo ainda desses que a gente se perde. Uma menina sem regras e com muito sono. Uma menina fraca e frágil. Ele gosta até o limite de poder gostar sem gostado e a mulher que nunca ia lhe amar era insistentemente seduzida.

O tempo que passa fez ela sair da vida dele. O tempo que passa fez ela voltar. O tempo que passa fez ele fugir dela. O tempo que passa fez ela mandar cartas ignoradas. O tempo que passa fez ele aprender a viver só. O tempo que passa fez ela desistir e encontrar alguém. O tempo que passa fez ele esquecer dela e depois lembrar. O tempo que passa fez ele voltar. O tempo que passa fez ela perdoar. O tempo que passa fez ela desistir de tudo isso. O tempo que passa fez ela fugir dele. O tempo que passa fez ele obrigar-se a esquecer.

Ficaram as referências. Ele passou, então, além de gostar das baixinhas branquelas tímidas, silenciosas e sarcásticas com cabelos pretos e com algumas sardas, também gostar das roqueiras inteligentes, rebeldes, engraçadas, tímidas, malucas, sem regras e com muito sono.

O tempo que ainda estar por vir há de passar, há de marcar, há de ficar, há de doer e há de passar. O que fica são as referências, as saudades, as memórias e as lembranças. O que dói são as feridas, as derrotas, as tentativas e os prazeres. E para frente é viver e somar referências, até que um dia, sem Ter mais para onde se procurar, resolva-se a amar e ser amado. Só.

Luiz Antonio Ribeiro
20/09/05

08 setembro 2005

Juro...

"Fique magoado, não por me teres mentido, mas porque eu não posso mais acreditar em ti"

Friedrich Nietzsche

Confiança. Palavra dura, bela, simples, equivalente ao mais puro sentimento. Sinto-a como uma força que nos empurra a entregar o nosso lado mais fraco a outros, na esperança de que esses me entendam e me confortem . Espero sempre que ao contar um segredo, eu estico uma corda, que amarrada a meu braço, amarra-se também ao braço do outro, e faz-me um pouco a parte dele. Por isso, tenho prazer especial em ouvir os segredos alheios, pois essa impressão elo, acalenta-me o sentimento de solidão. Confiar/ser confiável, tem pra mim a força encontro, de um abraço, de um beijo, de alguma coisa que fica guardada pra sempre, ou por tempo indeterminado, até que esse elo venha a ser cortado.

Acontece que muitas vezes, Ter um aliado, uma pessoa que se confia, enfim, Ter uma corda amarrada junto a si, na forma de amigo/irmão/namorado, seja o que for, gera um desconforto de perda de liberdade, quiçá uma sensação de ser perseguido, ou ser responsável pela vida de outro. Num dado momento, você se sentindo preso, faz por um ato simples de libertação a ação mais repudiável da sociedade desse tempo: a mentira, a traição, ou a quebra da confiança. Esse ato, funciona como quebra da corda, como libertação e voltar a ser um ser novamente livre, passível de erro e independente. É uma ato quase desesperado de tentar tirar de você o outro, que insiste em ficar a seu lado sorrindo, chorando e, principalmente acreditando.

Aí, vem a complicação da história, as confusões e o desfecho, mas aí, já não é interessante e muito menos confiável.

Luiz Antonio Ribeiro
09/09/05

05 setembro 2005

Criado mudo da casa da Luz

A: O que é um criado mudo?

B: É tipo uma mesinha de cabeceira.

A: Ah, pensei que fosse seu amigo mudinho contratado como empregado...

B: É...podia ser.

A: Ou então uma pessoa que é muda que foi criada por alguém.

B: É...podia ser também.

A: Ou então, uma neném que é criado sem poder falar...criado só na linguagem dos gestos, daí é um criado mudo.

E eu não parava de rir.

29 agosto 2005

Conto não...

-Me conta?
-Não posso, é segredo.
-Me conta?
-Não vai dar.
-Me conta?
-Conto não.

Ela perguntava para ele. Obviamente, ele era apaixonado por ela, mas não dizia, nem pensava em dizer, mas sabia de cor todas as palavras que usaria se fosse dizer. Ela, não amava. Não que fosse incapaz, ou fosse insensível; ela simplesmente, era não sentia a paixão, ou amor, o que quer que seja, de forma ordenada. Ela saia sentindo um monte de coisas ao mesmo tempo, e não definia se era amor, tédio ou prisão de ventre. Já ele, só queria ela.

-Não vai contar mesmo?
-Já disse que não. Vê se num enche...
-Olha que eu vou ficar chateada contigo.
-Fica.
-Você quer isso mesmo?
-Se é isso que você quer...

Ele não queria, nem ela. Mas ele sabia que ela sabia que ele não faria isso, por isso ele fazia, porque sabia que fazer charminho causava alguma coisa nela, próximo da raiva, mas ainda sem nome. Ela tinha raiva, mas era só, vontade de esganar ele. Ele tinha vontade que essa raiva virasse outra coisa.

-Tem certeza?
-Não tenho certeza de nada.
-Então você num vai contar mesmo?
-Está bem, mas não reclama depois.
-Não, não. Diga...
-Eu te amo.
-Isso eu já sabia.
-Já?
-Claro. Está na cara.
-Então por que você nunca fez nada?
-Sei lá.

Sei lá. Muito confuso o amor. Se alguém odeia alguém, deixa isso claro, quer fazer o mal, contar para os outros, mas quando a gente ama, a gente deixa aquilo guardadinho com a gente. A gente não espalha esse amor por aí, ele fica vagando pelas idéias como forma de carinho, gratidão e provocações.

-Mas tem outra coisa, também.
-Me diz.
-Não. Eu já disse demais.
-Poxa.. me conta, vai???
-Isso não.
-Conta?
-Conto não.

Luiz Antonio Ribeiro
30/08/05