22 janeiro 2008
15 janeiro 2008
fato
E quando me acabam as palavras e os argumentos o que me resta? Apenas um infinito silêncio e uma paciência que caso acabe me levará junto com ela para o fim de mim.
14 janeiro 2008
pois
Como se fosse possível pelo menos uma vez na vida dizer aquilo que não se pensou mais ousou sentir sem mesmo conseguir entender sem palavras, o menino tentou poder dizer para elas o que queria. Não disse, ou ao tentar dizer, sabia que não estava conseguindo e mesmo não olhando pra elas, sabia, e percebeu que sempre saberia, que a qualquer momento que tivesse palavras assim gentis e sinceras pra elas, elas agradeceriam e sorririam, uma vez que elas tinham a certeza de que poucas vezes na vida tal tipo de encontro aconteceria. E ele, acanhado por estar dizendo assim, tão rápido e tão verdadeiro, resolveu por pensar que nelas estava muito do que ele queria, não para si, mas para a vida dele, que na presença delas poderia se concretizar. E nesse vai e vem de pensamentos e nervosismos, ele percebeu que pouco precisaria dizer, ou mais nada, porque se elas gostassem não precisariam nem ler tudo, que na primeira linha estaria dito, não por mim nas palavras, mas no sorriso delas que infelizmente não chegarei a ver.
12 janeiro 2008
classificar
E toda vez que ouço – não te classifico – tomo isso como boa coisa, como aquele que sabe que o essencial é aquilo que não aparece ou aquilo que vaza e que no fundo sentimento é isso mesmo, mas depois acabo por perceber que não. – não te classifico – é só a forma de ser um asterisco, um aparte, um post scriptum, um epitáfio e minha inclassificabilidade acaba por ser aquilo que me classifica, a regra do que eu sempre fui e que hoje com toda força me reafirma, tanto que me faz já nem ousar reclamar outra coisa pra mim.
07 janeiro 2008
suspira. Depois
De pileque, trôpego pelas escadas numa dissimulação imperfeita ajudada pela escuridão da noite, ele chega em casa. Troca algumas palavras com quem ainda não dorme, ou com quem nunca dorme, ou com quem sempre espera. Tira o tênis sujo, para as meias precisa de apoio da estante e em segundos tira a calça e a blusa e fica de cueca, escolhendo qualquer bermuda e qualquer camisa, principalmente aquelas que não escolheria para vesti-lo naquela noite de sono. Senta-se a cama, olha para frente, num ponto da janela com alguns adesivos e respira. Depois suspira. Depois de um silêncio, volta a respirar com a força de um suspiro. Tenta pensar e não pensa, apenas aguarda que todos se deitem, o que demora apenas alguns minutos. Levanta-se, dirige-se ao banheiro e se percebe no espelho com a pupila dilatada a escovar os dentes sem respiração e com sono. Volta-se ao quarto, se senta na cama e olha novamente o adesivo e respira. Depois suspira. Depois de um silêncio, volta a respirar com a força de um suspiro. Deita-se, mas ainda muito demoraria a dormir.
28 dezembro 2007
ano novo
Quando virar a meia noite do novo ano, quando virar 2008, quando virar o tempo fatiado, quando virar, se virar lento ou virar bêbado, ou virar triste, ou virar azul, não importa, quando virar que eu vire estrela, vire amigo, vire troféu ou vire mendigo, não vire gay nem vire as costas pra não..., vire mais padre, mais santo, menos pouco, mais muito, menos isso ou aquilo outro e mais esse, virar mais calmo e mais na paz, virar um pouco papa, já que de branco, na verdade virar religioso, chegar em 2008 sentindo coisas espirituais quaisquer daquelas que não se sabe definir, quero sentir algum infinito na virada, sentir um sublime, com todos os sublimes que me fazem entender. Virar o ano mais puro, acordar e tomar leite, preciso tomar mais leite, eu gosto. Virar o ano entendendo menos das coisas, e refletindo cada vez mais sobre o menos delas e ir cada vez mais fundo naquilo que eu sei que me mata, mas que nunca me deixa ficar longe de mim e comigo, virar o ano e se possível lembrar dela, e depois dela, e depois outra ela, e sorrir, se assim puder e der, lembrar que lembrei, lembrar que estou lembrando e ainda não esqueci, lembrar e pensar e querer estar. Passar a virada fazendo muito e esperando o ano novo que vem, virando, virado, mas vem, e que comece leve, e só pese mais pro final.
22 dezembro 2007
Eram azuis.
Aquilo tudo acontecera algum tempo atrás, mas ela já vivia hoje. Acontecera ou começará a acontecer, não está bem certo se aquilo ainda acontece ou se fora somente uma bandeira uma vez hasteada que deixou rastros por todos os cantos onde e por onde o vento perdeu velocidade, sem nunca perder intensidade. Estava úmida e estava pesada. Sentia um peso enorme das cortinas ao lado em seu peito. Eram azuis. Não estava deitada nem sentada, recostava-se de um jeito displicente que causava algum desconforto. Vez por outra parecia emitir um gemido, que no quarto vazio da cortina azul pesada se propagava e se perdia em meio aos móveis e ao edredom. Ali sabia o que esperava ela sem saber o que chegaria pela porta, mas sabia o que esperava. Esse saber vinha muito mais de uma força e de uma confiança no acaso do que de qualquer certeza que tinha. Se ali deitasse dormiria como ninguém, então se abaixou, e vazia, como ninguém, dormiu.
21 dezembro 2007
ônibus
Todas vezes poucas que tive senti um risco físico real ou que eu aparentava ser real jamais senti tristeza, ou medo, ou alguma coisa que me afastasse da vontade de morrer na verdade desde sempre gostei disso que sentia e já percebi algumas vezes que foi isso que salvou alguns dos meus dias do marasmo e do mais do mesmo ontem no ônibus não sei porquê raios ou porquê motivo ou por quê eu senti de repente uma imensa força em mim dizendo vai acabar e eu olhei pra janela e vi as luzes das casas pobres e sorri sentindo uma felicidade imensa de poder ter compartilhado de todas essas coisas naquele momento daí olhei as outras pessoas no ônibus nenhuma delas compartilhava daquilo comigo e finalmente percebi que aquele ônibus não ia bater e nada iria acontecer mas ontem percebi que o dia da minha morte não vai nem um pouco doer.
10 dezembro 2007
talvez pela ficção
Essa história fictícia de amor, talvez pela ficção do amor, talvez pela ficção da história, começa quando ela resolve nunca mais querer voltar para ele, não querer ser mais dele, a partir de então, ela vai ser mais bonita, mais sorridente e mais engraçada, todos gostarão mais dela, e talvez ela até seja mais feliz. Nos caminhos, ela terá muitos, bastantes, e trocará deles sem intervalos, não conseguirá nunca mais não tê-los e não seduzi-los. Essa história fictícia de amor, talvez pela ficção do amor, talvez pela ficção da história, termina quando ela resolve nunca mais querer voltar para ele, não querer ser mais dele e apesar dela agora já não ter tanta certeza disso, jamais voltará atrás.
09 dezembro 2007
aquela vez
havia a poeira e nenhum ruído somente o que foi que ela lhe disse veio partiu foi isso assim veio partiu veio partiu ninguém veio ninguém partiu apenas veio partiu apenas veio partiu
05 dezembro 2007
não fosse trabalho seria poema
Os espaços não são negados, nem as presenças, nem as torrentes, nem os pensamentos, nem as repetições, nem os hábitos, nem os vícios, nem as mesmas palavras, sendo ditas insistentemente, e se retomando e se repetindo formando novos horizontes e novas expectativas, mantendo tudo incerto e inexato, mas absolutamente coeso, numa coesão tão absoluta que apesar de tudo ainda se diz haver uma unidade. E apesar de tudo isso, ainda se nega uma coisa: o “eu”, essa instância discursiva vazia, só elucidativa quando enunciada. E negar o “eu” e não negar todo o resto é algo determinante.
30 novembro 2007
28 novembro 2007
materno
19 novembro 2007
16 novembro 2007
vaitchau?
As vezes vem assim na minha cabeça que se um dia eu resolver pedir ajuda para qualquer coisa, haverá muita gente para ajudar, mas ninguém para ouvir. Tenho aprendido muito sobre a escuta, e tenho concluído que até hoje ainda não tive um ouvinte, tive momentos, raros, que fui ouvido, mas pouco, bem pouco mesmo. Tenho percebido também que ninguém me lê, e os que lêem não percebem que muitas vezes estou e prefiro que essa frase fique pelo meio. Vou dormir, e um dia eu paro de escrever.
14 novembro 2007
buraco
Tinha um buraco. No dia anterior não tinha, no dia anterior estava inteiro, mas agora tinha um buraco. Não que estivesse furado, transbordando ou sobrando alguma coisa, nem que estivesse vazando e desperdiçando, simplesmente acordou assim com um orifício. Daí a saber que se tem um buraco é uma coisa, saber o que fazer com o buraco é outra, e o que se pode fazer com um buraco? E sobre isso jamais foi pensado e portanto nada jamais concluído, mas a certeza a partir daquele dia passou a existir: tinha-se um buraco, e nada mudaria a não ser uma pontinha que dizia que tudo aquilo começara no dia anterior.
11 novembro 2007
dissedele
Os sentimentos não têm tamanho, nem formas, mas esse de agora é diferente. Ele não cabe numa música nem numa poesia, entretanto continua sem forma. E em outra adversativa digo que apesar de sem forma ele pede uma prosa, mas uma que não muito vai longe. E dialogicamente vou dizendo e opondo e dizendo cheio de oposições que quero desfazer. Só quero dizer desse sentimento que não sei o que é e nem de onde é, e é? Não quero tentar explica-lo, nem falar sobre ele, só dele, assim, e nessa prosa frouxa, nessa prouxa, desse sentimento falei. Não me sinto mais leve, mas sinto que alguém um dia vai ler isso aqui e lembrar que hoje eu tive um sentimento e disse dele. E isso você faz?
05 novembro 2007
ar mulé
cara...eu tava lendo um texto do jabor mt foda
ele falando q tá cansado dessas mulheres de bunda de fora, q agora a mídia controla a hora q vc tem q ter tesão
e q no carnaval tem tanta bunda de fora q não dá tempo de sentir tesão direito por nenhuma delas
Pedro diz:
daqui a pouco a gente vai sentir tesão em mulher de roupa
ziul diz:
é...
"caraca, aquela tá de calça larga, q tesao"
Pedro diz:
bom devia ser antigamente
tu tinha que usar a imaginação
hoje não
é tudo mais fácil..
ziul diz:
uhauhauhauhauha
é verdade
eu tava falando com a minha mae q assim, hj em dia ser "pelada" é um modo de vida
a mulher passa a vida inteira pelada
passa de ano pq ficou pelada pro nerd, fica pelada na praia pra arrumar homens, depois fica pelada pra arrumar emprego
e trabalha pelada
passa a vida assim
Pedro diz:
é verdade
depois mulher reclama dos direitos no trabalho
que mulher tem que ganhar a mesma coisa que o homem
pff
mulher ganha dinheiro mtu mais fácil
ziul diz:
uhahuauhauhauhuha
fato!
e assim, elas reclamam q sao assediadas...mas porra...elas passam a vida peladas
depois q ficam ricas querem parar??
nao tem como.
Pedro diz:
auhduahduahduahda
eu nunca queria ter nascido em outro planeta cara
o nosso é mtu manero
02 novembro 2007
senão transborda
Em relação a mulheres então, sou uma múmia. No meu tempo, e não é que eu queira dizer que eu seja velho e as coisas mudaram, pelo contrário, quando digo no meu tempo, é na minha idéia de tempo, de passagem, de multiplicidade rítmica, enfim, no meu tempo mulheres eram ganhas com discursos, palavras e atitudes se não nobres, que forjavam nobreza. O Arnaldo Jabor disse numa das crônicas que para conseguir alguma coisa com elas chegou a apelar para Marx, Deus, e chegar a citar o ato como uma “luta contra o imperialismo”. Hoje, ou ontem, eu vejo muito que não. Não deixo de olhar os movimentos noturnos e as paqueras por status com um certo tédio, e percebo que os valores, até nos que tem valores, é que os que têm mais amigos são mais “aptos”, são alvos. E isso me dá preguiça, porque eu não mais sei interagir assim com muito esforço e pouca sinceridade. No fundo, até gosto da minha imagem, do tímido que pouco fala, mas quando fala sempre alguém ouve, aquele que perto de pouca gente, consegue se divertir com o mínimo e vê toda a atividade obrigatório com preguiça, essa é a palavra, tive de repetir.
A grande verdade, que na verdade é pequena, mas que eu sinto grande é essa enorme massa de solidão eu vivo. Acho que em alguns anos vou enlouquecer, já que hoje não consigo me fazer entender. Essa semana na faculdade ao estudar A gaivota do Tchecov, a professora dizia que apesar de ser levado como um cara dramático, ele estava longe disso, e que quando a personagem Macha começa a peça de preto e diz: “sou infeliz”, isso de nada lhe faz ser triste, ou pra baixo, pelo contrário, a infeliz é a q mais vive naquela peça, e é como se fosse “sou infeliz, fato, agora vou viver minha vida como puder”. É isso, e mais não se diz!
28 outubro 2007
“Mas não,
Michel Melamed