01 maio 2008

nosódio

fragmentos de ficção III

palavra aleatória por: Marina Monsanto

ziul diz:
fala uma palavra
qualquer uma
Marina. diz:
nosódio
ziul diz:
porque escolheste tal palavra?
Marina. diz:
porque estou com o nosódio da dengue 30 DH na minha frente, tomo ele todo dia de manhã
e ele é a minha única esperança contra dengue

***


Sem demora porque tinha todo o tempo do mundo, cruzou o umbral da porta e foi para a rua, ia como flecha ou bala, apesar de não correr; era talvez um olhar fixo num ponto futuro inexistente que lhe carregava para a frente; era um impulso ou uma vontade, era uma humanidade, e todos nós o perdoamos por isso.

E ele cruzava as praças como quem fura uma célula ainda jovem e vê todo o seu líquido fugir pela membrana rompida, mas ele não era o que fugia, era o sólido, o que havia tomado o espaço e seguia em frente. Passava também por igrejas e não as via, não sei porque disse igreja, acho que porque seja um símbolo importante de uma fé e ele não as ver demonstrava uma não fé importante, ou uma fé noutra coisa, noutro mundo, portanto a igreja que lhe passava não lhe poderia resolver nada. Igreja era conciliação e nele tudo era contraste, tensionamento.

Chega até um prédio, lê na placa: “condomínio Varsóvia”, ri do nome e entra. Lá em cima no apartamento 403, estava ela a sua espera.

  • Resolva-me, disse um deles.

  • Estou-nos resolvendo, respondeu o outro.

Entre dores e sorrisos eles se apertaram por horas e as dores no peito eram os risos do corpo e as dores do corpo eram os risos do peito. Eles se riam de si, aprenderam isso depois de anos na luta de serem felizes apenas consigo mesmo. E por fim, como remédio um do outro adormeceram abraçados, mas como um câncer ambos sonharam juntos e separados que não acordariam no dia seguinte.

30 abril 2008

aprendendo a viver (ou a lhe ver)

Perguntei a ela seu nome, e ela me disse. Perguntei a quantas anda seu estudo, família, emprego, e ela sorrindo me disse. Perguntei das coisas que ela mais gostava e cada vez mais contente me disse. Depois, perguntei o mais importante, o essencial, e ela fechou a cara, bravejou, ameaçou ir embora, e por fim tornou-se silenciosa e soturna. Depois, ao meu lado, ainda silenciosa já havia me perdoado e seus olhos calmos e secos também em silêncio, me responderam:
"Não se pergunta o mais importante, o mais importante é sermos felizes juntos."

24 abril 2008

foi sim

seja o que for que ela tenha usado, foi bem usado, porque dela sou até hoje.
depois falo do meu aniversário, que sim, como todos os outros deu trabalho, foi um ano suado!

23 abril 2008

o baile

Assim, dançaram por grande parte da noite para os olhos atentos e curiosos dos presentes, e principalmente do patrão da menina. Ao final da noite, ele dispensa a carona dos amigos para leva-la para casa, onde no portão, dela se despede com um beijo longo, simples e puro.

19 abril 2008

rimar é fácil

poesia auto-referente
impotente e prepotente
mas que rende
fere rente
como gotas de um banho indecente
como fugas de um sonho recente
como mudas de um galho incidente

e nesse vagar errante e doente
dos sentimentos que plantam sementes
me vejo e me retorno demente
e se agora comigo não sentes
espera...que essas rimas te esperam somente.

(somente, mas livremente)

16 abril 2008

babá espanca bebê

Não fosse a gravidade do mundo de hoje e do quão as coisas são desvirturadas e desvalorizadas, eu poderia assim singelo dizer que essa frase sem esse verbo poderia representar uma das relações mais bonitas do mundo. Babá, bebê me lembra uma coisa meio primitiva, primária, primordial para a vida. Esses sons, quase balbuciados, representam uma linguagem ainda fraquinha, ainda pequena, ainda mundo demais para ser palavra e eu daqui imagino esse verbo feio deixando de ser verbo e o ser humano sendo mais essas palavrinhas, num dia que a gente não gritará ma(i)s, só falará pequeno que ninguém espancou ninguém, só babá bebê, babá, bebê, babá...

14 abril 2008

janelas paralelas

Foi Clarice quem me atentou para o fato de que tudo que existe no mundo existe com uma perfeição absoluta e eu as vezes não conseguia muito bem compreender o que ela queria dizer. Hoje eu entendi e foi com um sorriso que eu retribui essa imensa sutileza que o mundo me apresentou. E eu entendi que essa precisão não está ligada a heroísmos ou sublimidades ou muito menos a fatos que cabem numa história. Como eu disse, é uma imensa sutileza que percebo que não assusta só a mim, mas a ela e a todos. Esse mundo é realmente incrível, será triste um dia deixa-lo.

e

por mais que a gente tente
que sinta que mente
e entenda que pense
me é impossível chegar aqui
e ser impessoal
ou falar do frívolo

é que, sei lá, pra mim
é sempre tudo tão pro-
fundo

12 abril 2008

se eu fosse livre

se eu fosse livre. pena que eu comprei aquilo tudo. pena mesmo, porque se eu fosse livre seria tão mais fácil, tão...acho que se eu fosse tão livre e não tivesse comprado nada, não tivesse nada, comprado, talvez fosse tão livre, mas tão livre, que essa liberdade ia me matar e me aprisionar e eu não seria nada nada livre porque a consequência de tudo ia ser nunca deixar de ser tudo que eu conquistei, por isso olho pra trás e me vejo fechado num quarto lendo e escrevendo pra ser livre e lembro que fui livre quando não sabia nem o que era ser.

desapego

Sentados no sofá da sala, Francisco e Fernando estavam a aproximadamente vinte minutos sem pronunciarem palavra alguma. Olhavam-se, desviavam o olhar, um levantava, ia até a janela, voltava a sentar, enquanto o outro fuçava alguma coisa nos bolsos, e assim foi até Regina adentrar no recinto de mãos dadas com Pedro. Ele estava com o terno de marinheiro azul, roupa de festa que usara apenas uma vez, por ser considerada a roupa dos momentos especiais, porém, até então, sem saber o quão especial seria aquele dia para a vida de todas essas pessoas.

Fernando se levanta, Pedro corre para seu lado, dando-lhe as mãos e os dois se dirigem à porta. Ali de baixo do vão que deixava o sol entrar na sala, viram-se juntos, olhando para trás. Pedro sorri para os pais, Fernando passa o olho pela casa e diz:

- Voltamos em pouco tempo.

E começam a sair. Regina pronuncia um rápido “Vão com Deus”, que só é ouvido por Pedro que vira para trás, olhando sorridente para a mãe. Saindo, viram a direita e somem do campo de visão de Regina e Francisco, mas a mãe com um insight corre em direção à porta.


10 abril 2008

danadão

ziul diz:

pq pedrp?

Pedrp diz:

ah cara

é simples

eu fui digitar e errei

ziul diz:

aaahhh dai se cagou, ne?

Pedro diz:

não

foi só isso mesmo

daí eu corrigi agora

ziul diz:

aah tá...

que sem graça

Pedro diz:

nem po

achei um fato manero

ziul diz:

eu não

faltou coco

Pedro diz:

nem po

cocô fede e é moh nojento

ziul diz:

mas uma história com coco é sempre uma boa história

Pedro diz:

ai

eu fico com vontade de vomitar, sabe

ziul diz:

mas vomita?

pq vomitar tambem faz uma história ser maneira

catarse

Depois que foi assaltado uma duas vezes, passou a ser nervoso. Não que tivesse sido traumática a experiência do assalto, nada lhe tinha acontecido e nem ao mesmo perdera muitas coisas, mas começou a se sentir mal sempre que saía, era como se passasse o tempo todo burlando a possibilidade de assalto que lhe parecia inevitável. Chegar no lugar sem ser assaltado era a vitória e aliviava um pouco, mas mesmo assim já começava a pensar como faria o caminho de volta e assim poder burlar de novo essa ordem social.

Abre o portão do prédio e já olha para os lados e pra frente pra ver se consegue ver algum pivete, ou alguém suspeito rodeando por ali, caso não veja, vira para seu caminho e vai embora, vamo que vamo, pé na estrada, passo e pulso acelerados. Chega no ponto de ônibus e tira a mochila das costas, ninguém roubaria na mão boba por trás sem ele ver. Caso haja alguém suspeito por perto, anda até o ponto ao lado, caso algum mendigo atravessa a rua na sua direção, volta para casa. Tudo tem uma fuga. Chega o ônibus e entra, só senta no corredor com a mochila no colo perto do trocador olhando para quem entra e olhando para quem sai. Salta do ônibus, olha pros lados e escolhe o caminho mais perto. Vai como flecha.

Chega em casa a noite cansado, exausto com dores de cabeça, dorme mal. Acha a vida um estresse.

Dia seguinte, sai do portão do prédio tenso e é logo assaltado. Dá 10 reais lá pro sujeito e vai embora pra aula. Nunca foi tão leve, nunca se sentiu tão bem, estuda bem, dorme bem, diz oi pro trocador, pro motorista, ameaça até conversar com pessoas no ônibus, dá o lugar para os velhinhos. Enfim, sente a liberdade que ele tem quando já não tem.

solidão

Quanto mais escrevo, mais sou solitário. Primeiro, porque é pelo ato que aos poucos eu descubro o mundo e todo aquele peso que vem com ele, segundo porque quando escrevo não escrevo sou escrito, ou seja, entro em contato com a parte minha que desconhece mas sofre e terceiro porque os que me lêem quando gostam do que lêem dizem que gostariam de escrever como eu e sinceramente, se não acredito que já o fazem gostaria muito que escrevessem tal como eu porque escrever diferente me deixa mais solitário e cada vez mais com medo da minha próxima frase. Digo isso tudo porque talvez um dia eu pare de vez.

08 abril 2008

o último

Fragmentos de ficção II

palavra aleatória escolhida por Pedro Fernandes

Pedro diz:

é pq tava tocando "pela última vez" na tv
daí eu falei ultimo, pq eu queria falar no masculino
é mais manero

Ele estava lá quando eu já não estava mais, aliás eu já tinha ido faz tempo, mas sabia que ele ainda estava, ou estaria por um bom tempo. Sabia que se eu voltasse, ele iria embora então eu não poderia ir vê-lo. Ele é mais paciente, mais tranquilo, mais calmo, mais persistente. Acima de tudo é um homem de fé, muita fé; fé ou desespero, mas ele é um ser complex(t)o. Ele demora mais nas cocas-colas, nas jornais, nos programas de tvs, na internet, ele sempre está presente, embora não esteja sempre presente pra mim ou pra você, mas está sempre lá. Você não vai se sentindo só, nem eu, porque ele está lá, fazendo companhia até o fim. Se ele morrer, alguma humanidade morre.


Uma vez ele saiu pra comprar pão e eu achei que eu tinha ficado sozinho; não aguentei, gritei, esperneei, liguei pra minha mãe que obviamente não poderia atender, tentei cigarro, cerveja, violão, música, nada tinha por ali, nada. Era o maior silêncio da minha vida. Pra mim era tão difícil, mas ainda bem que em pouco tempo ele voltou com a mesma paz de sempre e tomou de volta seu lugar, me deixando ir.


No dia que eu tentei acabar, ele estava lá e me impediu. No dia que eu tentei dormir, ele sentou do meu lado, segurou minha mão e esperou. No dia que eu fui pra festa e não queria ir embora, ele tal qual segurança ficou até o fim e me fez companhia. Ele é o que mais gosto em mim, mas sei que quando ele precisar não vou poder estar para ajudar.

07 abril 2008

per-doar=for-give

Fazer o bem é não se sentir bem fazendo o que está fazendo. Fazer bem é até se sentir um pouco mal por fazer. Doar é sentir falta, rasgar na carne aquilo que mais precisa, mas ainda assim é o bem, o bom, a doação. Às vezes os outros não entendem e viramos vilão, porque afinal de contas, alguém precisa ser vilão. Talvez apesar de ateu eu seja cristão demais.

06 abril 2008

fragmentos de ficção I


Palavra aleatória por Milla Muniz: amigo


- Milla . diz:

foi a primeira que veio na mente

eu até pensei em escrever outra sabe? mas acho que nao seria sincero


Joana estava sozinha em casa. Resolvera andar nua, colocar um som alto e fechar todas as cortinas para que se olhasse de dentro e para que a casa só lhe olhasse por dentro, depois de um tempo nua, percebeu que ainda não estava totalmente nua, não se sentia. Resolveu então tomar um banho, achava que no contato do sabonete e da esponja em seu corpo poderia chegar mais perto de si e começou o processo de limpeza, liberdade e auto-consciência. Escolhera a água gelada.


Ensaboada se tocava, tentava manter toda a proximidade de si, passar a mão e a esponja em todas as partes do corpo e nada. Talvez não tenha nascido para se sentir. E se se masturba?


Odiou com veemência a idéia, saiu do banho com raiva, se secou e se vestiu com a maior roupa e a que mais lhe tapava: do pescoço aos pés. Resolveu prender o cabelo. Abriu todas as janelas e destrancou as portas sentindo uma tristeza imensa do que não pudera realizar: esse auto-conhecimento que só uma casa vazia poderia concretizar. Foi quando na porta bateu alguém. Uma amiga de infância que Joana chamou para dentro, fez-lhe um lanche, pegou uma coca-cola e as duas devagar conversavam, como quem não tem pressa de nada.


Joana não percebeu mas ela já estava chegando a esse seu auto-conhecimento, prova disso é que já tirara o casaco e as meias. Joana não percebeu mas talvez intuiu que a gente só encontra a gente num amigo e principalmente quando a gente está distraído.

tentativa 1

Gosto de assumir coisas minhas, muitas vezes gosto até de assumir coisas dos outros. Se eu fosse fazer um tratado sobre a coisa acho que diria que o que dela transparece são só uns mal hábitos, um singelo mal humor e algumas atitudes dissimuladas, que transparecem a definição de coisa. Acontece é que eu descobri que eu não tinha coisa nesse caso e não foi coisa minha quando tive um dia de estar comigo do jeito que eu queria e percebi que me diverti e fiz até o que me parecia impossível. Por isso acho que retrospectivamente...caramba, onde é que raios eu estou querendo chegar?

03 abril 2008

pensado

Eu estava indo dormir, quando uma frase veio com muita força em mim, tanto que não me contive e tive de anota-la num papel. Transcrevo-a:

"Só faz poesia ou vive poesia quem entende de madrugada e entrega ao corpo as dores da alma e do coração."

Depois fiquei tentando entender o que eu havia pensado e principalmente porque eu havia pensado nessa frase justamente na hora de dormir enquanto escovava os dentes. Pra variar não consegui me responder, mas acho que conciliatoriamente entendi em mim que essa frase veio justamente porque eu entrego ao meu corpo todas as dores da minha alma e do meu coração.

Termino com uma frase de meu professor Walder:

Fomos nascidos e criados para a felicidade, mas temos sofrimento desde o primeiro momento.

gentileza sem chance

Hoje voltando pra casa entrei no ônibus e vi uma linda menina. Sabia que não chegaria a falar com ela, muito menos a conhece-la. Por humildade, gentileza e respeito resolvi me esconder dela e sentei-me logo atrás para evitar de olha-la e invadi-la com meu olhar que não conseguiria se esconder.

Pouco depois desci do ônibus e andando pra casa, sozinho, percebi como eu gostaria que o mundo me tivesse dado uma chance de ser gentil com ela.

02 abril 2008

topar

Hoje acordei e ao levantar topei com o mindinho na quina da cama. Doeu e eu gritei: "Puta que pariu!" E como eu me senti feliz por estar vivo e ser livre. Bom dia pra mim!

01 abril 2008

urbanidades


Meus deus, eu que sempre resolvo tentar saber tanto; eu que tento ser de mim para mim, e viver por mim, mas que me abandono sempre pelo outro. E pior, sempre que me abandono é quando chego muito mais perto de me encontrar, embora nunca me encontre.

Acabei de assistir Polaróides Urbanas, o filme que é a primeira direção cinematográfica do Miguel Falabella. Tenho que dizer que foi com espanto que recebi esse filme. Foram choros e gargalhadas acompanhadas somente por mim nas já costumeiras idas solitárias ao cinema nas tardes cariocas. Choro porque sofro com aquelas personagens, rio porque também sou um pouco delas, e sendo, compartilho com elas essa nossa solidão, que no final, sempre nos parece engraçada, ou não?

Acho que resolvi escrever simples hoje, escrever simples porque quero ser entendido, acho que cansei da minha solitária missão de fazer arte, de esconder signos pra lá e pra cá. Queria hoje poder dizer em eterno estado de crônica, de sair falando e falando e no tempo que você me lê, ir entendendo e gostando, e sentindo que divide alguma coisa comigo, nesse momento único que é estarmos longe fisicamente e tão perto dentro, nessa coisa que a gente pode chamar de alma, mas que eu prefiro chamar de “a gente mesmo”.

Tem uma cena do filme que eu resolvi transcrever porque demonstra tudo isso que eu tentei dizer aí em cima. Vamos a ela:

Numa praia, uma mulher quarentona e um menino de vinte e poucos anos conversam:


  • tenho que falar pra senhora, o que eu disse de ser stripper é mentira. Eu sou garoto de programa...

  • Como?

  • É...eu faço sexo por dinheiro.

  • Bem...pelo menos faz sexo, ne?


E nesse completo encontro de perdidos na urbanidade que seguiu minha cabeça. Andar na rua foi estranho, mas voltei pra casa, retomei a rotina e já está tudo bem. E por que será que finalmente quando volta tudo ao normal me dá vontade de dormir?



31 março 2008

ficar rico





E se eu ficar muito rico, comprar um quadro do van gogh e resolver quebra-lo em mil pedaços? O dinheiro me dá esse direito? E com que direito, então, ele influencia tanto assim o mundo das artes, chegando a ditar uma possível nova estética.
Foi nessa hora que eu tive uma idéia genial:

vou comprar um quadro dele, dividir em quatro e vender. Vou ficar bem mais rico e vou virar artista!

30 março 2008

antes de partir

Agora é a hora que eu saio de mim e imagino o mundo todo visto do lado de fora. Imagino eu morrendo e vivendo as coisas pela metade, deixando tanta coisa por fazer que fazer que morrer seria doído. Morrer sem aproveitar uma felicidade que eu imagino que a gente possa ter. Eu me imagino sofrendo um acidente e ficando triste, ou imagino você com uma coisa ruim e o gasparetto falando: “bem feito, bem feito, foi pra aprender”. Acho que ele devia nos dizer isso todos os dias, acho que a gente devia se dizer isso todos os dias, pq no fundo, todos nós vivemos em círculos pra nunca precisar mudar. A gente repete o mesmo erro de um jeito diferente, e a gente sorri de um jeito diferente, sempre em relação a algo que a gente já (não) fez. Eu imagino que um dia daqui a pouco a gente vai querer mudar e não vai nem saber por onde começar, não vai ter idade, saúde, e vai ter tanta responsabilidade que não vai ter nem mais alegria pra fazer, não vai ter uma força que é vital e que é nossa e agora explode como nunca. Eu imagino que se algo de ruim acontecesse o mundo ia virar e talvez, mas jamais inventarei um problema. A vida é o problema, mas o único que a gente tem e que é um problema bom. Quem sabe eu já não esteja me olhando agora velhinho e percebendo que hoje tudo que estou dizendo foi a maior tolice e melhor coisa que eu fiz na minha vida. Quem sabe eu não saiba que eu não vou viver muito tempo e que dizer agora tudo é bom porque dizendo eu divido as coisas de mim, e alguém pode ler e jamais retribuir, mas vai guardar isso tudo, com tanto carinho e sempre com um sorriso de lado que já me faz feliz, como me senti da primeira vez. Talvez seja agora a hora de você sair de dentro de você e olhar todo o mundo pelo lado de fora.

pela primeira vez


- Você ainda gosta dela?

- Dela? Gosto.

- E você gosta de gostar dela?

- Gosto do gosto...de gostar dela.

- Então por quê você tem que ir? Por que você teve que fazer aquilo?

- Eu tenho, eu fiz. Aquilo.

29 março 2008

juntos embora


A gente não precisa de mais nada; a gente não precisa mais viver; a gente pode ir embora, fechar a porta, porque tudo vivo que existe já chega na gente com tom de passado, então talvez toda felicidade que tenha pra gente, seja uma felicidade que já foi, e por isso que a gente vai, cada vez mais juntos embora.

27 março 2008

janela

Se o interno estado de embriaguez durasse mais do que dura o tempo de um beijo, pediria que durasse mais pra sempre que conheço. Intuo, complico e concluo, no espaço do que é hoje.
Depois entôo, desfaço, escondo; volto atrás, mas venho e digo porque vivo e celebro.

Se começo com "talvez", não me asseguro destas palavras, e quais são? As digo porque nelas me reconheço como duplo, e porque em frestas vejo um novo mundo.

por Saulo e Luiz

quimera é

abrir a tela e escrever nela a rima que dela se espera.

25 março 2008

e depois?

e ao refletir sobre mim percebi que sou artista em todos os momentos da minha vida, menos agora: terça-feira, dia 25 de março de 2008 as 15:31, no exato momento em que escrevo isso.

conversa com duchamp


Acordei hoje com minha mãe me cutucando o pé. Depois de reclamar de alguns problemas da vida, ela me disse que esteve ontem num centro espírita pra falar com meu avô e que meu bisavô havia deixado com ela um recado pra mim.
Eu que, apesar de não acreditar em espírito, morro de medo deles, pedi-lhe que me contasse logo, foi quando ela disse:

"olha, ele disse que conversou lá no céu com um tal de duchamp, tu conhece meu filho? Então, falou que esse Duchamp andou conversando com Freud lá em cima e chegou a conclusão de que tava tudo errado na arte dele, principalmente naquele urinol lá."

Eu não conseguia entender muito bem o que minha mãe queria dizer, ela que não entendia muito de arte, me dizia quase que hipnoticamente aquilo que há anos eu estudava e jamais entendia.
Continuou:
"Então, ele falou que na verdade ele escolheu o urinol porque ele lembra e de costas forma um útero de mulher, e o nome 'a fonte' nada mais é do que contar o milagre do nascimento da vida."

Pra mim já era demais, resolvi virar para o canto e dormir, mandando minha mãe parar de dizer bobagens. Foi quando ela terminou:

"daí ele te pediu que escrevesse um artigo dizendo que a culpa é toda dele, que ele é um tarado pela mãe e não sabia e quer que todos nós homens paremos de mijar na nossa mãe."

Enquanto eu adormecia só consegui ouvi a pergunta:

"O que quer dizer isso, meu filho?"

-Não sei, mãe...não sei.

23 março 2008

um jogo


- Acho que vou lá agora.

- Não vai, não vai não.

- Mas é claro que eu vou. Tenho que ir. Preciso.

- Você não tem que ir, você não precisa. Quem tem que ir pra algum lugar? Quem precisa alguma coisa? (pausa)

- Eu.

22 março 2008

se


- Se fosse ontem a gente poderia ir.

- É...mas é hoje. Se fosse ontem.

- E se a gente for amanhã?!

- Amanhã? Acho que amanhã é tarde demais. Não daria tempo.

- É... amanhã é mais tarde ainda que hoje.

- Se fosse ontem...

- É, se fosse ontem...

18 março 2008

o que não vai


- Então vamos terminar?
- Vamos.
- Mas você ainda me ama, ne?
- Amo. E você?
-Muito.

(silêncio)

- Acho que um de nós precisa ir.
- Acho que podemos ficar aqui assim
- Podemos...
- Mas terminados, ne?
- É...terminados.
- Está bem.

(silêncio)

12 março 2008

lista

pois é..., o flamengo ganhou, o fluminense empatou, hegel não concordou com kant, o marcelo saiu do big brother, há sérios problemas quanto ao protocolo de kyoto, de madrugada as mulheres continuam ficando peladas na tv, o orçamento do governo foi aprovado, eu almocei na parmê e encontrei uma amiga, a helena foi assaltada, eu ando lendo 40 páginas por dia, a cláudia gimezes tá ficando com um carinha aí, a comunidade do orkut "hermenêutica sacana" continua muito maneira e eu realmente espero q não chova no final de semana.

pois quanta coisa existe no mundo e meu sonho é enumera-las, pra no final concluir q todas elas vieram de dentro de mim, e como diria Hamlet: "o resto é silêncio".

09 março 2008

pra onde vou

Nunca vislumbrei descobrir quem eu sou; nem em mim, nem de mim, nem por mim. Pensar nunca me revela nada. Na maioria das vezes que percebo que eu sei quem eu sou é com uma música, uma poesia, um teatro ou um filme. Neles, que estão fora de mim, por vezes me encontro, me dobro, e descubro por instantes quem eu sou. Mas foi nela, ou nelas, nas tantas dela, e nas tantas delas, que sempre acabo descobrindo pra onde eu vou.

08 março 2008

07 março 2008

oração

que eu sempre lembre de todas as coisas boas que me acontecem e que delas lembre num dia qualquer de um tédio qualquer.
que eu sempre guarde e distribua gratidão, com carinho e gentileza, candura e tato, sorriso e habilidade.
que eu sempre entenda o olhar da outra, ou dos outros, que eu saiba sempre o que me está sendo dito por eles e que jamais diga que é pouco tudo que eu tenho, ou que me é dado.
que eu guarde comigo os bons momentos, as boas lembranças, as boas brigas e os dias especiais
que ontem me seja eterno e que eu faça de hoje um ontem também eterno.
que eu sempre tenha forças e me livre dos pensamentos ruins.
que eu habite fundo muito o meu coração.
que eu seja feliz às vezes e sempre que possível.

e um adendo:

porque afinal de contas, a gente não tem tudo, mas sabe que não precisa de mais nada.

03 março 2008

o chico gostou, eu não.

Faço, falo, calo, eu danço

aperto o passo ou descanso

habito todos os espaços que tenho

tenho, tive, faço, me encaixo

por cima vôo, me abaixo

despacho as marcar pra longe daqui


repete ou mente aquela palavra

me aperta o braço, me estala

e a gente encosta e não larga mais

depois finge que nada me fez

finge que foge outra vez

que eu daqui finjo que nem reparei


reclama, depois conta uma história

explode a raiva, mas cala

me embala e cantarola a nossa canção

do nada volta finge que foi

daqui eu finjo que dói

embola tudo que é rima e refrão


e a gente, e a gente é

e a gente que sabe da gente

que sente que tudo vai ser

da gente, e a gente que

sabe tanto da gente que é

sempre aquilo que poderia ser



02 março 2008

29 fevereiro 2008

aham

, mas quem poderia dizer que nesse sentido, do que se tem sentido há senso, afinal de contas não há razão pra contar o que havia e o que não havia, porque apesar de haver fatos, feitos e instituições, cada dia mais aprendo que isso de nada vale e nisso se pode muito pouco confiar. O que importa sempre são essas outras coisas que a gente nem consegue contar, que faz a gente ser menos na prática, mas muito mais na ordem do mundo, ou do cosmos, sei lá. Tento dizer, aos trancos e barrancos, que existe alguma coisa divina nisso tudo, uma desmedida: nessas horas existe um deus, e tudo no mundo parece ser organizado pelo deus pra gente, cada pequeno pedaço, como se faltasse a gente pra juntar. E a gente junta...

28 fevereiro 2008

feito

É feito de lágrima, de suor, de muitos filmes e leituras, feito por ser pequeno, mais frágil, praticamente epidérmico; é feito de lentidões e aptidões, de chocolates e gritos de gol, de aprender acordes novos, de comprar roupas novas, de ir ao dentista, de ficar dias e dias em casa, só fazendo nada e deixando na mãe e nos outros a idéia de que se está triste. É feito de desejos e fetiches, de sonhos guardados, e rimas forjadas mais rimas forjadas, é feito de computadores e nojo deles, é feito de intransitividades e rompantes; feito às vezes de palavras que já nem se conhece, como admoestar; feito de canções de amor e de amigo, de Clarice e Saramago, feito de pó, poeira, pedra, fim de linha; de cicatriz na perna, de cicatriz no peito, de saudade, de muda espera e de sumiço, feito de tentativas frustradas e cansaços, de medo, algum medo, feito de cinemas sozinhos e pipocas não divididas, feito de frases de filmes decoradas para um dia usar, de choros nos filmes por falta de alguém pra compartilhar; Feito de ser o último a dormir e sentir uma dor ao ver um por um ir embora, mas depois que todos se vão: feito de paz. Feito de bolo e brioche, de flamengo, de abraço na mãe à toa e carinho no gato velhinho que já deixa saudade; feito de grandes paixões e não correspondências, feito de uma força imensa e de total falta de companhia, feito de um parceiro pra compor e compartilhar; feito de algo muito forte e sem palavras, uma coisa que é um enorme aprendizado que um dia pode o levar, mas que por enquanto é seu combustível, feito dessa imensa vontade de se fazer presente, de ajudar a vida de alguém, feito de poucas coisas e sentimentos pequenos como pureza, gentileza e raivas tão rápidas quanto suspiros, feito não de felicidade mas de profundezas de alegrias, feito do que pode ser feito, feito de vontade, potência e ar, feito de simplicidade; feito errado, incompleto, mas feito pra amar.

27 fevereiro 2008

agora

Me deu uma vontade imensa de escrever, daquelas incontroláveis, corri pra cá e, meu deus, foi com o maior espanto do mundo que eu percebi que eu não sei.

26 fevereiro 2008

quem sou eu

Sempre que eu me pergunto quem sou eu, a pergunta me soa pequena e vaga, como quem pergunta que horas são?. Seria bom um dia, quiçá, me perder com alguém e nesse encontrar (não era perder?) chegar num limiar onde não perguntarei mais quem é você?, mas que horas são?, na esperança de ainda nunca ser a hora de voltar a me perguntar quem sou eu.

17 fevereiro 2008

uma vez flamengo

Quanta ousadia a minha vir aqui escrever daquilo que eu não tenho a menor noção. Pela primeira vez eu posso dizer que faço pela primeira vez do jeito que faço. E esse espanto, esse enorme espanto de fazer uma coisa já tão tarde na minha vida, ou nem tanto, pela primeira me atordoa.

É um aprendizado, meu de conceber e realizar e dela de jamais entender. O melhor é que não preciso que nada rume para lugar nenhum, só ver os passos, as pequenas outras coisas boas da vida aparecendo, por isso que é tempo de celebrar, e celebrar cantando um hino, ou uma música boa, ou fazendo uma nova. Fiz e chama-se ontem.

15 fevereiro 2008

que se entenda


Se algum dia lhe fosse feito uma estátua, ela seria de bronze e ele estaria ali com uma roupa simples, um olhar que acaricia, sofre, mas tem raiva, as pernas ligeiramente arqueadas e os braços, ah os braços, estariam eles estendidos como oferecendo ajuda, oferecendo abraço, oferecendo os braços. E uma vez pedida a ajuda, ele piscaria os olhos, começaria a se mover e desceria para junto do enfermo, pedinte ou necessitado com o olhar terno que se pode dizer agora que se assemelha ao de um franciscano.

Seu nome, Francisco, era nome de orgulho e talvez o que ele fizesse aos outros fosse feito ao seu nome e ao seu orgulho. Ele não era bom e não entendia muito bem sobre a bondade, entendia somente do sacrifício da bondade, das greves de fome da bondade e da solidão dela, talvez por isso tivesse raiva: percebia nos outros o que se podia fazer para ajudar, enquanto que fazer ou não fazer lhe era impossível, já que fazia sem muitas vezes ser requisitado, acabava por sempre massacrar a vida alheia com a bondade. Era sua única arma.

Havia se apaixonado absurdo e exageradamente duas vezes e nas duas se prometera a amar para sempre e assim o fizera, tendo que, sendo sempre o elo mais fraco e tendo que se desapaixonar na marra, na garra, para o eterno e repetido bem. Até seus amores ele massacrou. Com o bem.

Agora, sentado numa pedra de costas para o mar. Há pouco tempo para tudo, sempre. Um dia, faz pouco tempo (para tudo, sempre) havia ouvido uma canção que lhe mudara a vida, pois não lhe trazia o que as outras trazia conforto ou inquietação, ou raiva, ou felicidade, ou indignação: ele havia descoberto na música ela. Foi o primeiro encontro que teve com ela e a partir da canção mais fácil seria esbarrar por ela por aí, ela estaria a espera, assim como a canção havia lhe mostrado sem sinais. Francisco não entendi muito bem o que dizia, sábado e domingo era dela canção.

Ainda de costas olha o movimento que assim passa por ele. Não estava ali para encontra-la, quando a encontrou pela primeira vez, não havia ido para encontra-la, ou será que talvez ele só havia a encontrado muito tempo depois de a ter conhecido? Sabe, por isso, que aos poucos ia encontra-la e que com o pouco tempo para tudo sempre ele não precisaria ter pressa, pois o que era deles já era deles e talvez fosse impossível esse quadro mudar. Sabia, de costas pro mar, que as coisas tomavam um rumo que ele não ousaria tentar adivinhar, muito menos antecipar, ou pular etapas.

Por isso, como em paz, resolve se deitar nas pedras e de cabeça pra baixo pela primeira vez no dia, se é que isso fosse possível olha para o mar. E assim, torto e desconfortável, imóvel como uma estátua, Francisco entendeu o que queria e pela primeira vez no dia sorriu. Havia ganhado um presente.

10 fevereiro 2008

shakespeare

Nunca senti que necessitavas ser pintada,

E por isso nunca te pintei a beleza:

Eu achei, ou achei que achava, que excedias

Aquele pouco que um poeta pudesse fazer:

E portanto eu permaneci quieto ao falar de ti

Que tu mesma, tão destacada sendo, bem poderia mostrar

O que falta à uma pena moderna

Falando do valor, que valor em ti reside.

Esse silêncio atribuíste a meu pecado

Que deverá se provar minha maior glória, tendo permanecido mudo,

Pois eu não prejudico a beleza ficando mudo

Quando outros dariam a vida e falariam disso, criando um túmulo,

Há mais vida em um só dos teus lindos olhos

Que ambos os teus poetas poderiam em elogio criar

02 fevereiro 2008

carnaval

Carnaval não é um evento, uma festividade, um feriado. Carnaval é um estado, um processo, um enigma e uma sigla. Não é para todos a mais popular das festas, é para quem dele entende, e é difícil esse entendimento. É feito não de canções, mas de insinuações de canções, de ritmos quebrados, baladas torcidas e letras tristes. Carnaval é a principal hora de se lembrar que é triste; lembrar, mas jamais morrer, só de for de amor num dos passeios ou blocos da vida. É a hora de comemorar a tristeza e celebra-la, transforma-la num elemento importante da vida, de convívio, mas é também a hora de torna-la natural e fazer que a partir dela o resto do mundo venha. E com o resto do mundo o melhor dos sentimentos: a alegria.


É hora de olhar pro lado e procurar o arlequim que chora pelo amor da colombina no meio da multidão. É hora de ser arlequim e o pierrot, esbaldar-se sem a colombina e depois de tudo lembrar-se que tudo é feito em nome dela, mas fazer. Alguns perdem a memória, outros os sentidos, outros a vergonha e todos a dureza, a carranca, ganhando malícia e lembrando dos pais e avós, das histórias dos carnavais deles, tentando sempre honrar a família e ter carnavais como os deles, se esbaldando por aí. Carnaval é a hora de se apaixonar pela vida, talvez a única hora que vale a pena, talvez a última chance, depois é esquecer do carnaval, cuidar da ressaca e da gente e lembrar que o mundo não é feito de azul. Carnaval, hora de dormir de um jeito diferente.

28 janeiro 2008

as time goes by

O mundo acordou em cores e disso eu preciso falar. Nada de novo no mundo aconteceu, porque nada há para acontecer, mas mesmo estava tudo melhor. Não porque eu tenha mudado, ou porque o verão coloria mais as coisas, pelo contrário, até estava nublado e o carro estava cheio de gotas de um orvalho da manhã. Era eu, na minha melhor parte: naquela que eu não entendo. Lembra quando eu disse nunca brigar? Nesse dia eu parei de brigar comigo e ao entrar no carro e estar sozinho a ouvir uma música em volume baixo para não abafar os sons da cidade, me fez entender melhor a vida. Escapou tudo que eu pensei, mas foi bom demais e me sobrou agora a sensação. Então, agora, lembrando e continuando comigo percebo que tudo que ouço é verdade, que tudo que vejo é verdade, que tudo que está ao meu lado é meu, bom, meu, e eu escolhi. Quero rever a cena do piano de Casablanca. No matter what the future brings, as time goes by…

25 janeiro 2008

1900

Por acordar cedo, com sono, cansado, por ter estado sozinho e senti-lo sempre, ao vir escrever sei que cada frase será pesada e lembrará qualquer coisa de 1900.

22 janeiro 2008

heath ledger


E quando ele morre tanta gente morre com ele, tanta gente deixa de existir, é um genocídio sua morte, uma coisa meio estranha pra mim não acostumado a ver a morte de alguém que só conheci sendo o outro. E em quantos outros dele estaria ele, ou por quantas vezes teria eu o prazer de ver seus outros sem vê-lo, eis os mistérios das artes da vida e da gente: sempre alguma coisa fica irrealizada e tudo que já (se) foi se torna mágico, etéreo e sempre nos escapa ficando na gente pra sempre, mesmo escapado.

Platão

para Platão era "ver além"

15 janeiro 2008

fato

E quando me acabam as palavras e os argumentos o que me resta? Apenas um infinito silêncio e uma paciência que caso acabe me levará junto com ela para o fim de mim.

14 janeiro 2008

pois

Como se fosse possível pelo menos uma vez na vida dizer aquilo que não se pensou mais ousou sentir sem mesmo conseguir entender sem palavras, o menino tentou poder dizer para elas o que queria. Não disse, ou ao tentar dizer, sabia que não estava conseguindo e mesmo não olhando pra elas, sabia, e percebeu que sempre saberia, que a qualquer momento que tivesse palavras assim gentis e sinceras pra elas, elas agradeceriam e sorririam, uma vez que elas tinham a certeza de que poucas vezes na vida tal tipo de encontro aconteceria. E ele, acanhado por estar dizendo assim, tão rápido e tão verdadeiro, resolveu por pensar que nelas estava muito do que ele queria, não para si, mas para a vida dele, que na presença delas poderia se concretizar. E nesse vai e vem de pensamentos e nervosismos, ele percebeu que pouco precisaria dizer, ou mais nada, porque se elas gostassem não precisariam nem ler tudo, que na primeira linha estaria dito, não por mim nas palavras, mas no sorriso delas que infelizmente não chegarei a ver.

12 janeiro 2008

classificar

E toda vez que ouço – não te classifico – tomo isso como boa coisa, como aquele que sabe que o essencial é aquilo que não aparece ou aquilo que vaza e que no fundo sentimento é isso mesmo, mas depois acabo por perceber que não. – não te classifico – é só a forma de ser um asterisco, um aparte, um post scriptum, um epitáfio e minha inclassificabilidade acaba por ser aquilo que me classifica, a regra do que eu sempre fui e que hoje com toda força me reafirma, tanto que me faz já nem ousar reclamar outra coisa pra mim.

07 janeiro 2008

suspira. Depois

De pileque, trôpego pelas escadas numa dissimulação imperfeita ajudada pela escuridão da noite, ele chega em casa. Troca algumas palavras com quem ainda não dorme, ou com quem nunca dorme, ou com quem sempre espera. Tira o tênis sujo, para as meias precisa de apoio da estante e em segundos tira a calça e a blusa e fica de cueca, escolhendo qualquer bermuda e qualquer camisa, principalmente aquelas que não escolheria para vesti-lo naquela noite de sono. Senta-se a cama, olha para frente, num ponto da janela com alguns adesivos e respira. Depois suspira. Depois de um silêncio, volta a respirar com a força de um suspiro. Tenta pensar e não pensa, apenas aguarda que todos se deitem, o que demora apenas alguns minutos. Levanta-se, dirige-se ao banheiro e se percebe no espelho com a pupila dilatada a escovar os dentes sem respiração e com sono. Volta-se ao quarto, se senta na cama e olha novamente o adesivo e respira. Depois suspira. Depois de um silêncio, volta a respirar com a força de um suspiro. Deita-se, mas ainda muito demoraria a dormir.

28 dezembro 2007

ano novo

Quando virar a meia noite do novo ano, quando virar 2008, quando virar o tempo fatiado, quando virar, se virar lento ou virar bêbado, ou virar triste, ou virar azul, não importa, quando virar que eu vire estrela, vire amigo, vire troféu ou vire mendigo, não vire gay nem vire as costas pra não..., vire mais padre, mais santo, menos pouco, mais muito, menos isso ou aquilo outro e mais esse, virar mais calmo e mais na paz, virar um pouco papa, já que de branco, na verdade virar religioso, chegar em 2008 sentindo coisas espirituais quaisquer daquelas que não se sabe definir, quero sentir algum infinito na virada, sentir um sublime, com todos os sublimes que me fazem entender. Virar o ano mais puro, acordar e tomar leite, preciso tomar mais leite, eu gosto. Virar o ano entendendo menos das coisas, e refletindo cada vez mais sobre o menos delas e ir cada vez mais fundo naquilo que eu sei que me mata, mas que nunca me deixa ficar longe de mim e comigo, virar o ano e se possível lembrar dela, e depois dela, e depois outra ela, e sorrir, se assim puder e der, lembrar que lembrei, lembrar que estou lembrando e ainda não esqueci, lembrar e pensar e querer estar. Passar a virada fazendo muito e esperando o ano novo que vem, virando, virado, mas vem, e que comece leve, e só pese mais pro final.

22 dezembro 2007

Eram azuis.

Aquilo tudo acontecera algum tempo atrás, mas ela já vivia hoje. Acontecera ou começará a acontecer, não está bem certo se aquilo ainda acontece ou se fora somente uma bandeira uma vez hasteada que deixou rastros por todos os cantos onde e por onde o vento perdeu velocidade, sem nunca perder intensidade. Estava úmida e estava pesada. Sentia um peso enorme das cortinas ao lado em seu peito. Eram azuis. Não estava deitada nem sentada, recostava-se de um jeito displicente que causava algum desconforto. Vez por outra parecia emitir um gemido, que no quarto vazio da cortina azul pesada se propagava e se perdia em meio aos móveis e ao edredom. Ali sabia o que esperava ela sem saber o que chegaria pela porta, mas sabia o que esperava. Esse saber vinha muito mais de uma força e de uma confiança no acaso do que de qualquer certeza que tinha. Se ali deitasse dormiria como ninguém, então se abaixou, e vazia, como ninguém, dormiu.

21 dezembro 2007

ônibus

Todas vezes poucas que tive senti um risco físico real ou que eu aparentava ser real jamais senti tristeza, ou medo, ou alguma coisa que me afastasse da vontade de morrer na verdade desde sempre gostei disso que sentia e já percebi algumas vezes que foi isso que salvou alguns dos meus dias do marasmo e do mais do mesmo ontem no ônibus não sei porquê raios ou porquê motivo ou por quê eu senti de repente uma imensa força em mim dizendo vai acabar e eu olhei pra janela e vi as luzes das casas pobres e sorri sentindo uma felicidade imensa de poder ter compartilhado de todas essas coisas naquele momento daí olhei as outras pessoas no ônibus nenhuma delas compartilhava daquilo comigo e finalmente percebi que aquele ônibus não ia bater e nada iria acontecer mas ontem percebi que o dia da minha morte não vai nem um pouco doer.

10 dezembro 2007

talvez pela ficção

Essa história fictícia de amor, talvez pela ficção do amor, talvez pela ficção da história, começa quando ela resolve nunca mais querer voltar para ele, não querer ser mais dele, a partir de então, ela vai ser mais bonita, mais sorridente e mais engraçada, todos gostarão mais dela, e talvez ela até seja mais feliz. Nos caminhos, ela terá muitos, bastantes, e trocará deles sem intervalos, não conseguirá nunca mais não tê-los e não seduzi-los. Essa história fictícia de amor, talvez pela ficção do amor, talvez pela ficção da história, termina quando ela resolve nunca mais querer voltar para ele, não querer ser mais dele e apesar dela agora já não ter tanta certeza disso, jamais voltará atrás.

09 dezembro 2007

aquela vez

havia a poeira e nenhum ruído somente o que foi que ela lhe disse veio partiu foi isso assim veio partiu veio partiu ninguém veio ninguém partiu apenas veio partiu apenas veio partiu



beckett

05 dezembro 2007

não fosse trabalho seria poema

Os espaços não são negados, nem as presenças, nem as torrentes, nem os pensamentos, nem as repetições, nem os hábitos, nem os vícios, nem as mesmas palavras, sendo ditas insistentemente, e se retomando e se repetindo formando novos horizontes e novas expectativas, mantendo tudo incerto e inexato, mas absolutamente coeso, numa coesão tão absoluta que apesar de tudo ainda se diz haver uma unidade. E apesar de tudo isso, ainda se nega uma coisa: o “eu”, essa instância discursiva vazia, só elucidativa quando enunciada. E negar o “eu” e não negar todo o resto é algo determinante.

30 novembro 2007

acho que

assim como falhar
é preciso amar mais
amar muito
amar melhor
pra quando falhar,
falhar melhor

28 novembro 2007

materno

tocar nas contradições, fragilizar as fragilidades, conter um anacronismo, estar dentro estando fora,cezzane, ibsen, virar do avesso, abalo muito forte, obrigado, ir com a pá procurar no solo o objeto, não é um broche, não adere em qualquer coisa, comparar chuchu com janela, tem ou não tem receita de bolo, ficção do eu - processo de conhecimento.

19 novembro 2007

ziul diz:
eu to querendo tirar minha graça
francisco... diz:
pra q?
ziul diz:
sei lá
cansei dela
francisco... diz:
mas e ai vc vai fazer oq?
arrumar outra?
ziul diz:
nem
ficar assim sem

16 novembro 2007

vaitchau?

As vezes vem assim na minha cabeça que se um dia eu resolver pedir ajuda para qualquer coisa, haverá muita gente para ajudar, mas ninguém para ouvir. Tenho aprendido muito sobre a escuta, e tenho concluído que até hoje ainda não tive um ouvinte, tive momentos, raros, que fui ouvido, mas pouco, bem pouco mesmo. Tenho percebido também que ninguém me lê, e os que lêem não percebem que muitas vezes estou e prefiro que essa frase fique pelo meio. Vou dormir, e um dia eu paro de escrever.

14 novembro 2007

buraco

Tinha um buraco. No dia anterior não tinha, no dia anterior estava inteiro, mas agora tinha um buraco. Não que estivesse furado, transbordando ou sobrando alguma coisa, nem que estivesse vazando e desperdiçando, simplesmente acordou assim com um orifício. Daí a saber que se tem um buraco é uma coisa, saber o que fazer com o buraco é outra, e o que se pode fazer com um buraco? E sobre isso jamais foi pensado e portanto nada jamais concluído, mas a certeza a partir daquele dia passou a existir: tinha-se um buraco, e nada mudaria a não ser uma pontinha que dizia que tudo aquilo começara no dia anterior.

11 novembro 2007

dissedele

Os sentimentos não têm tamanho, nem formas, mas esse de agora é diferente. Ele não cabe numa música nem numa poesia, entretanto continua sem forma. E em outra adversativa digo que apesar de sem forma ele pede uma prosa, mas uma que não muito vai longe. E dialogicamente vou dizendo e opondo e dizendo cheio de oposições que quero desfazer. Só quero dizer desse sentimento que não sei o que é e nem de onde é, e é? Não quero tentar explica-lo, nem falar sobre ele, só dele, assim, e nessa prosa frouxa, nessa prouxa, desse sentimento falei. Não me sinto mais leve, mas sinto que alguém um dia vai ler isso aqui e lembrar que hoje eu tive um sentimento e disse dele. E isso você faz?

05 novembro 2007

ar mulé

ziul diz:
cara...eu tava lendo um texto do jabor mt foda
ele falando q tá cansado dessas mulheres de bunda de fora, q agora a mídia controla a hora q vc tem q ter tesão
e q no carnaval tem tanta bunda de fora q não dá tempo de sentir tesão direito por nenhuma delas
Pedro diz:
daqui a pouco a gente vai sentir tesão em mulher de roupa
ziul diz:
é...
"caraca, aquela tá de calça larga, q tesao"
Pedro diz:
bom devia ser antigamente
tu tinha que usar a imaginação
hoje não
é tudo mais fácil..
ziul diz:
uhauhauhauhauha
é verdade
eu tava falando com a minha mae q assim, hj em dia ser "pelada" é um modo de vida
a mulher passa a vida inteira pelada
passa de ano pq ficou pelada pro nerd, fica pelada na praia pra arrumar homens, depois fica pelada pra arrumar emprego
e trabalha pelada
passa a vida assim
Pedro diz:
é verdade
depois mulher reclama dos direitos no trabalho
que mulher tem que ganhar a mesma coisa que o homem
pff
mulher ganha dinheiro mtu mais fácil
ziul diz:
uhahuauhauhauhuha
fato!
e assim, elas reclamam q sao assediadas...mas porra...elas passam a vida peladas
depois q ficam ricas querem parar??
nao tem como.
Pedro diz:
auhduahduahduahda
eu nunca queria ter nascido em outro planeta cara
o nosso é mtu manero

02 novembro 2007

senão transborda

Eu não sou um revolucionário. Muito menos um desbravador livre e moderno, um cara atual, antenado nas novidades do mundo e da sociedade. Pelo contrário, acho que apesar de toda minha atitude, até certo ponto anárquica, sou bastante conservador. Toda minha pulsão e revolução é retórica, na busca de um fio tênue de algo que imagino eu, deve ser conservado.
Em relação a mulheres então, sou uma múmia. No meu tempo, e não é que eu queira dizer que eu seja velho e as coisas mudaram, pelo contrário, quando digo no meu tempo, é na minha idéia de tempo, de passagem, de multiplicidade rítmica, enfim, no meu tempo mulheres eram ganhas com discursos, palavras e atitudes se não nobres, que forjavam nobreza. O Arnaldo Jabor disse numa das crônicas que para conseguir alguma coisa com elas chegou a apelar para Marx, Deus, e chegar a citar o ato como uma “luta contra o imperialismo”. Hoje, ou ontem, eu vejo muito que não. Não deixo de olhar os movimentos noturnos e as paqueras por status com um certo tédio, e percebo que os valores, até nos que tem valores, é que os que têm mais amigos são mais “aptos”, são alvos. E isso me dá preguiça, porque eu não mais sei interagir assim com muito esforço e pouca sinceridade. No fundo, até gosto da minha imagem, do tímido que pouco fala, mas quando fala sempre alguém ouve, aquele que perto de pouca gente, consegue se divertir com o mínimo e vê toda a atividade obrigatório com preguiça, essa é a palavra, tive de repetir.


A grande verdade, que na verdade é pequena, mas que eu sinto grande é essa enorme massa de solidão eu vivo. Acho que em alguns anos vou enlouquecer, já que hoje não consigo me fazer entender. Essa semana na faculdade ao estudar A gaivota do Tchecov, a professora dizia que apesar de ser levado como um cara dramático, ele estava longe disso, e que quando a personagem Macha começa a peça de preto e diz: “sou infeliz”, isso de nada lhe faz ser triste, ou pra baixo, pelo contrário, a infeliz é a q mais vive naquela peça, e é como se fosse “sou infeliz, fato, agora vou viver minha vida como puder”. É isso, e mais não se diz!

28 outubro 2007

“Mas não,

nenhum amor é incondicional. Então, acreditar na incondicionalidade é decididamente precipitar o fim do amor, porque você acredita que esse amor agüenta tudo, que de um jeito ou de outro você acaba fazendo esse amor passar por tudo.”
Michel Melamed

25 outubro 2007

fica

Quase que perdi a cena enquanto a pequena
Pintava seu quadro de nossa história
Que ela moldava do jeito dela e não pedia ajuda
Imensa astúcia a da pequena que não sabe o que quer

De blusa listrada e de sandália não sabia
Que era muito o que sentia e que pedia
E não era culpa minha se não tinha
Tanta vida e tanta glória e tanta coisa boa pra dizer

E eu em meio a tudo isso
Ou até apesar disso
Só sabia de uma coisa e repetia
A mesma frase num cartaz assim escrita
“vai..vai...vai...mas fica”


Luiz Antonio Ribeiro
26/10/07 - 1:30

23 outubro 2007

anotação de aula

o encatamento pelo objeto se dá no depois, através da memória, pois enquanto está presente ele está preso, faz parte do hábito. (existe o mundo do hábito com seus objetos de entretenimento, e um mundo mais abaixo da superficialidade do cotidiano, um mundo dito da "realidade", que só é percebido quando os hábitos deixam de entreter.)

20 outubro 2007

deixo-os

As vezes percebo de um jeito bastante forte, ainda que pueril, que tudo que fiz na vida até hoje foi gastar-me. Gastei meu corpo e minha saúde com comidas extravagantes, com bebidas altamente calóricas ou alcoólicas, com corridas desnecessárias, com excesso de sol, as vezes de chuva, com uma inércia absoluta daquelas de dar dó. O meu tempo gastei com esperas em dentistas, filas, cinemas, ou com conversas demais, ou aulas demais, ou sono demais, e fui gastando aceleradamente, com muito esforço de gasta-lo pela vida a fora e com eficiência, até que algumas vezes percebi que ele não é gastado, mas ele próprio se gasta na gente e continua a gastar-se. Percebo que gastei meus sentimentos, jogando-os nas horas erradas, nos dias errados, nos amores errados, gastei-os com tanto prazer e felicidade num momento que me parecia tão válido e propício, mas que hoje ao me mover a gasta-los percebo que eles já estão gastos, como se feridos houvessem cicatrizado, deixando marcas. Percebo que meus sentimentos estão gastos porque neles já não posso mais confiar, percebo que eles não são vivos, ele sse força a viver e eu o forço a viver, enquanto que ele mesmo não se faz de vivo, e talvez nem mesmo exista, entretanto penso que devo agradecer por assim ser, pois pelo menos penso sobre eles e sou sincero com eles. Deixo-os sempre em jogo, abertos, como chuteiras velhas à espera do camisa onze que chega, deixo-os em mim, onde sempre os levei. Deixo-os para sempre poder usa-los, deixo-os como quem deixa uma casa, ou uma esposa, deixo-os podendo sempre voltar. Mas deixo-os.

03 outubro 2007

de ir me

Não creio em nada, nem na escrita, não creio. E é essa descrença que me faz falar de coisas que não tenho parte nem domínio nem entendo. Na verdade, não falo sobre nada porque em mim não há voz, há em mim somente um eu que não consigo identificar, logo não consigo pensar, logo não consigo enunciar, não existe o meu enunciado, só minha enunciação. Repetir sempre é necessário. E falo porque a voz é aquilo que mais contém o meu silêncio e sempre que eu silencio eu falo tanto que acabam por pedir que realmente fale, então vivo nesse paradoxo: dizer para não dizer e não dizer dizendo, e assim, tenho de ir me confortando em não fazer ninguém ouvir, porque é necessária uma outra escuta que não a de ouvir. Acho que estou estudando isso demais, estou entendendo isso demais, estou me aprofundando e me silenciando demais, chegarei ao tempo que direi com um olhar mil palavras e minhas profecias de dimensões bíblicas estarão num mover das mãos, aí chegarei lá, e poderei perceber que na vida alguma vez fiz teatro. Acabo por, sempre, crente que consegui, a formatar níveis daquilo que eu deveria ou poderia, ou conceberia ter dito, se a minha vida fosse essa, pois se fosse, estaria eu limitado a muito pouco. Ainda bem que até agora ainda não fui eu.

23 setembro 2007

gosto

eu gosto da minha condição e de todas as minhas condições, gosto do jeito como sou chato e intenso, gosto do jeito como eu sorrio as vezes sem graça, gosto do jeito como encaro as pessoas, com muita sinceridade, mas com candura e gentileza, gosto de ser terno, de ser fiel, de ser direito e de fazer as coisas com tanta simplicidade, gosto de qd eu falo mal dos outros, porque sempre me saem as palavras de boca pra fora, pq só mal do que não vejo em mim, gosto de me chamar luiz e gosto qd me chamam de luiz, ou luizinho, me sinto em casa, gosto de ter feito tudo que fiz ate hoje, e gosto intensamente de ter minhas saudades, gosto de as vezes ter um pouco de nojo das pessoas assim como gosto de ser muito limpo comigo e com minha consciencia, gosto de estar sempre comigo e gosto de estar sozinho, gosto da maneira como as vezes acho q não consigo dizer nada a ninguem, gosto por saber que sei muita gente gosta de mim de graça, gosto de saber q eu sou um carinha legal q as pessoas tem prazer de estar perto, gosto porque sei que não sou perfeito, nem que sou bom, nem que sou agradável, mas porque sei que não mexo com sentimentos dos outros, nem deixo os meus pra trás, levo-os comigo de peito aberto, gosto de saber que passo por tudo que passo e aqui estou dizendo, nem medo de estar dizendo e sem medo de ficar triste dizendo. gosto porque digo que gosto de mim.

26 julho 2007

duas vezes

na vida,
só disse a duas pessoas "eu te amo",
todas de verdade, e de coração
e com um profundo sentimento de eternidade.
Tanto que hoje não retiraria essas palavras,
e até ousaria dize-las novamente
mesmo que para o vento.

Se você já ousou dizer, e hoje consegue retirar
Você não sabe verdadeiramente o que é amar.

19 julho 2007

mas do amor...

Tudo o que no mundo ocorre parece ocorrer sempre depois de um grande aviso. Tudo parece que vem como prenúncio ou prelúdio ou prefácio, tudo vem com uma exposição, tudo é empreendedorismo. É mister apenas estar atento aos avisos, não com os olhos, mas com a gente, com o corpo, com sabedoria, que aos poucos diluída nas pessoas, e nas coisas de nossa vida, vão tomando nossa forma e sem deixar de nos surpreender, tornam-se nossas. Há fatos, no entanto, que se anunciam a si mesmos, principalmente quando todos dizem q eles irão acontecer, mesmo que você negue e lute contra eles, as pessoas às vezes tornam-se esses anúncios e o mundo inteiro sabe o que vai acontecer com você. Nesse sentido, a gente não pode dizer que está abandonado, ou que está lançado à sorte, a gente tem um mundo compartilhando tudo com a gente, e desfilando e perfilando tudo, cabe-nos simplesmente, saber o q é do mundo, o que é da gente e o que é de fora da gente. Porque no fim, por mais que a gente brigue, tente, grite e esperneie a gente é o mundo e o que vem de fora a gente não reconhece, a gente se apropria para sorrir, mas depois a gente exclui, porque o que vem de fora é alienígena, e alienígena todo mundo sabe que não existe, mas do amor que duvida?

23 junho 2007

piscar do traço

Eu não escrevo nada além das palavras que correm ao piscar do traço da tela do computador. Assim e por isso, não posso jamais ser melhor que qualquer alguém que não escreva, que não entenda e que não pense. Jamais posso me pôr à frente só porque digo ter o dom da palavra, da cena, do ritmo e dos sons. Posso ser apenas um moço, pequeno e humilde que não sabe, que não tem dons nem instrumentos para nada, posso ser apenas o moço que escreve porque sente vontade e que entende profundamente que isso de nada adianta. E ao correr do piscar do traço da tela do computador frases são feitas e desfeitas, e acima de tudo esquecidas, para talvez um dia serem lembradas num momento qualquer.

17 junho 2007

hoje

Não posso fazer que seja perfeito, nem ao menos que seja feliz, porque perfeição e felicidade não são passíveis de fabricação, muito pelo contrário, a capacidade de percepção é inversamente proporcional à felicidade e a perfeição nada mais é do que o objetivo inatingível das noites mal dormidas e das pessoas mal crescidas.

O sonho dura mais que uma aventura e permanece até depois do fracasso, da tristeza e da inevitabilidade da queda. O sonho é a ponte do que nunca vai ser com o que não é, mas poderia ser, caso fosse perfeito. O sonho é o perfeito real, o que pode existir de mais perfeito na gente.

A vida é apenas a fração de todas essas coisas. É escorregadia e fugidia. A vida é a seqüência de segundos encadeados com pausas, voltas e quebras. A vida é a porta de saída das coisas, é a falha no dispositivo. A vida é a tristeza, a imperfeição, é enfim, o lugar do fim do sonho.

07 junho 2007

zé



O Daniel é Placido
Placido é Daniel
se eu falar que ele é Tabuada
ele briga, pois Taboada ele é
e se mais uma vez ele briga
decido chama-lo de Zé.

Luiz Antonio Ribeiro
7/6/7

01 junho 2007

Assalto

A gente não sabe o que está acontecendo até acontecer, a gente age sem agir e saber que está agindo como se tudo parasse para ouvir a gente sendo, ou então, como se a gente parasse para tudo e fosse um ser em estado, ou em processo, ou em exercício. A gente sente medo e dores, se é que é dor esse estado completo de anestesia, ou então é até um paradoxo, sim e não, hoje e sempre, nunca mais. Não há sentimento nem metáfora que descreva, não há pensamentos, filosofias ou idéias que entendam, não há sistema quando tal ação acontece, mas acontece e o mundo pára, muito e tanto que nem parece existir. Nesse sentido, como um assalto parece amor.

30 março 2007

o cego

O cego sem sabedoria pedia ajuda sempre que podia, mas nem sempre era ouvido, pois não falava com os olhos que perdidos passeavam de lá para cá, sem irem a lugar algum. O cego tinha a dádiva de ser cego e não morrer anônimo e ser vez ou outra notado na vida, que para cego dura um pouco mais que para gente que enxerga. O cego também passeava no parque, ouvia músicas e assistia filmes, o cego também falava ao telefone, mas não sempre, não desperdiçava o contato humano que achava importante. O cego era burro e deu um esmurro e um esporro no menino que gritava com o avô. O cego era sábio e subia no parapeito da ponte do parque do pároco.

Passei esses dias no botequim do mané e estava lá o cego enxergando tudo e enchendo a cara com o povo do morro do gambá. Perdi o interesse dele, que agora até virou vascaíno.

06 fevereiro 2007

Virgínia

Existe um abismo em mim daqueles que jamais posso contar, pois corro o risco de ser chamado de prepotente, ou metido, ou egoísta, ou qualquer desses termos que costuma se usar para tornar uma pessoa mais despresível que você, por mais que ela demonstre mais recursos e habilidades. Quando disse recurso, acabei de me pegar dizendo exatamente o que devia ser dito: algumas pessoas possuem mais recursos que outras, o que não quer dizer absolutamente nada, na medida em que resultados nada tem a ver com sujeito, objeto, ou forma, mas talvez por uma inexplicável capacidade de agregar coisas, ou melhor, dispositivos.

Voltamos, no entanto, para meu abismo. Sinto, ou melhor, percebo, mesmo porque há algo de racional nessa percepção, que o mundo apesar de ser ridiculamente óbvio e repetitivo e pronto e estável, me torna totalmente inseguro, ou desprotegido, ou desguarnecido, ou uma outra palavra melhor que ainda não encontrei, ao mesmo tempo em que o mundo dos livros me traz resposta, segurança e me deixa a clara impressão de que sou o grande desbravador da vida e entendedor dos mistérios, ou ainda, que esse mundo dos livros me faz gênio e admirável, enquanto que ou outro, me faz criança perdida.

Ó culpa minha, e só minha desse desespero. Como é doloroso fechar uma página do Saramago e ouvir um vizinho ouvir Latino, ou ver minha mãe ouvindo notícias de futebol, ou ver meu pai, numa atividade de grande intelectualidade pra ele, lendo Danielle Steel. Ó como isso me enfraquece e me faz tão despreparado para tais ações. Serei eu o desajustado, ou será que meu desajuste não existe, é forjado, e simplesmente deixo o Saramago sair do livro, quando ele deveria adormecer em mim, ou somente ser estravazado aqui? Quanta falta de resposta, quanta falta de solução, quanta falta de felicidade...

E tudo isso porque estou lendo Virgínia Woolf, não deveria ter aberto esse livro.

05 fevereiro 2007

essa amiga


Tenho uma amiga que muito me interessa e muito me dá medo. Fico meses sem a ver, tendo as vezes impulsos de saudade, chegando até a achar de que ele não vive e não sai à rua, mas quando a encontro na rua descubro que ela vive muito mais do que eu.


- Você está morando ainda ali no Valparaíso?
- Que nada, vendi aquela casa faz cinco anos, fui morar no Quitandinha, depois fui pro centro e agora eu morando ali ó...perto daquela farmácia.

Engulo saliva e seco e penso: “caramba.”


E assim vai, ela conta da vida toda dela, dos namorados que arrumou e terminou, um maconheiro, outro publicitário e outro ex seminarista: “todos iguais.” ela diz, e eu vou ficando surpreso de ver como tem gente que parece que vive num tempo que é muito maior que o meu. As vezes acho que estou indo super bem, aproveitando os momentos e fazendo minha vida rodar, ou girar, porque rodar remete a um círculo e girar...putz, também. É nesses momentos que vejo que não encontro a palavra que eu quero, ou melhor não encontro a vida ou as atitudes na vida que eu quero.


Ao invés de tentar fazer minha vida rodar, ou girar, deveria ter feito a minha vida “espiralizar”, ou então simplesmente imitar minha amiga.

03 fevereiro 2007

Zuzu Angel, o filme

Rio de Janeiro, 15 de agosto de 2006. Ainda estou vivo, digo ainda vivo porque ainda quer viver. Não escrevo em/por urgência, pois minha vida ainda tem muito para ser, porém apresso-me com medo de, num encanto ou outro, num instante ou outro, ou um piscar de olhos, perder parte desse sentido, quase absolutamente abstrato que é viver.


Temo não chegar a dizer aquilo que exatamente quis, mas não temo a escrever e não entender. O fato é: estou vivo e a expectativa é que viva um pouco mais, ou muito mais. No entanto, como manterei viva aquela vontade que dizem nossa de perpetuação? De que maneira, eficaz ou não, justa ou não, meu corpo vai trabalhar para que eu fique no mundo?








Acabei de ver Zuzu Angel, por isso escrevo. A morte do filho Stuart é averiguada até o fim da/pela mãe. Ela de maneira alguma enxerga política ou relação de conduta na história, ela não devia nem saber que lado torcia, mas sabia exatamente o que o filho era para ela: A parcela de perpetuação da vida dela. Os vestidos iam ficar velhos, rasgar, serem usados por pessoas que nem os merecia, mas seu filho não, era ela, parte dela, que de tão não-ela, pensava e agia de forma tão confusa, o que na concepção dela, não parecia estar esclarecido, mas era o lado do filho, logo era o lado dela. E assim foi. Egoísta, narcisista, ela foi mãe. Culpada e infantil, ela foi mãe. Por isso, mais que absolvida, ela está perdoada. A catarse está feia. Feita até o fim, at[e a epifania, a ordem está reestabelecida. E mais uma vez a mãe está certa, não de acordo com a justiça, não de acordo com o mundo, mas de acordo comigo. Eu amo Zuzu Angel e sempre perdôo as mães.


Luiz Antonio Ribeiro
15/08/06

27 janeiro 2007

quem sou eu

O que eu quero escrever eu ainda não sei, por isso achei por bem me criar em um personagem, um assim tipo eu, mas que, também como eu, tem todas as possibilidades de ser qualquer coisa que queira, inclusive o oposto de mim. O que eu quero falar tem a ver com amor e com amizade, ou alguma coisa que flutue entre essas duas coisas, ou então pretendo falar sobre esses sentimentos como coisas ultimamente forjadas para preencher lacunas em nossas vidas. Não, não é isso que eu pretendia dizer, é mais sutil, tem mais a ver com meu olhar para o desespero das pessoas em sustentar estruturas, relacionamentos e sentimentos que por muito já vão ruindo, mas que parecem ser a única alternativa, principalmente em vidas que eu vejo que possuem mais alternativas. Por que raios essa dificuldade da gente em se livrar das coisas, de mudar, de chegar um móvel mais para cá e abrir espaço para um novo? “não pode, não pode”, o que pode, quem pode, se é que pode? Os tempos passam e os espaços também, e porque insistimos em pensar num sentimento, que ao ser projetado no passado vira poesia, e sai doe espaço e desse tempo, e assim, torna-se tão mais perfeito? É evidente que as férias passadas são melhores, ou que com aquele amigo a gente era mais feliz, isso é sair do gráfico.

É muito fácil responder a pergunta de “quem sou eu” dizendo seu próprio nome, ou apontando coisas como características e medos, ou fatos, descrever-se é apontar fatos, mas fatos são passados, assim como fotos. Entendo eu que pensar em quem se é, é pensar primeiro de tudo em um ser que é solitário, não sofrido ou sem amigos, longe disso, mas como alguém que nasceu sozinho, e vai morrer sozinho, alguém que vai passar essa existência sozinho, apesar de que algumas e muitas pessoas passarão pelo caminho. E depois de ser sozinho, pensar no que sempre fez parte de você, não pessoas, mas fatos ou impressões. Eu diria, por exemplo, que lembro de uma vez muito pequeno, na casa de minha madrinha ter descido correndo uma rampinha e ver umas quatro ou cinco pessoas a me olhar e me aparar para q eu não caísse, isso é algo que sempre esteve comigo, e deve portanto, fazer parte de mim, ou do que sou.

O que estou tentando dizer acho que é que as pessoas geram dependência na gente. Acomodamo-nos com certas presenças, com certas atitudes e com certas tendências a fazer o mais do mesmo, e nesse caso, não adianta repetir até ficar diferente, repetir é ver a variação do que já deu o que tinha que dar, mas como enfim superar essa premissa de solidão vivendo em grupo e tendo amigos e pessoas que tanto nos amam? Pessoas não nos amam, acostumaram-se tanto a gente que não conseguem viver sem, e ai de nós se nos afastarmos, é capaz delas fazerem pirraça,porém daqui a pouco se acostumam. A grande questão da vida é respeitar essas grandes questões da vida, é saber que as pessoas contribuem com a gente na medida em que elas aderem coisas ao que somos, não fincando na gente e grudando, pedindo sempre que a gente esteja “sendo elas”, ou “vivendo elas”, ou “amando elas”, quanto mais errado se dizer melhor, mais desesperadora fica a frase.

O que eu queria dizer, não está nessa conclusão, está no meio desse tempo ai, não sei onde, mas sei que de alguma forma disse alguma parte do que queria, a conclusão é só formalidade aristotélica textual.

18 janeiro 2007

filme

Fosse cena de filme, teria começado com um close no rosto apavorado e assustado da cigana para logo depois abrir a imagem e mostrando uma cena em que uma mulher de cabelos negros e vestido branco está sentada de costas para a cigana, que desfazendo-se da cara de susto, mantém um olhar de descontentamento. “É...o que vejo não é nada bom...nada bom...”, nesse mesmo instante começaria um trilha sonora das minhas fúnebres, e mais uma vez teríamos um close, só que agora da outra mulher, que usava óculos escuros e pulseiras. “Não me assuste, senhora...não tem graça”. “E eu lá faço piada, dona?”

Depois entraria a abertura do filme que seria alguma coisa para mostrar a última tecnologia da empresa que produziu, entrariam marcas de patrocinadores e muitas legendas, daí recomeçaria o filme cheio de histórias e pormenores. Imaginei tudo, mas imaginei chato. Bom mesmo é esse começo.

24 dezembro 2006

natal

Existe na vida alguma coisa ligada aos cheiros. Mais do que os outros sentidos, sinto que as vezes a vida é muito mais ligada a eles. Essa constatação me veio e logo depois algo me iluminou dizendo que o olfato é o sentido mais próximo do sentimento. Ele é quase alguma coisa, é incerto. Ele não atesta nem confirma nada, mas faz julgamentos que nos acompanham por todo o resto da vida.

Hoje é véspera de natal, e é dia de cheiros. Dia de sentimentos. A rabanada que vai se fazendo, a canela e o açúcar, algumas frutas estranhas que só vejo no natal e tenho nojo de me aproximar, as castanhas, os panetones. Conforme anoitece o cheio de peru, chester, tender. Parece-me que isolados, esses cheiros não seriam sentimentos, mas juntos me fazem lembrar que é natal.

Jesus está nascendo para fazer um monte de coisas e morrer na cruz. Sinceramente, eu não acho nada de interessante na vida dele, prendo-me mais as sutilezas. A primeira coisa que acho que não devia ser ignorada sobre Jesus são suas palavras: tudo que ele diz nos deveria movimentar, nos fomentar, não levando a idolatria mas a reflexão. E depois, o que mais me leva a ele são as coisas que permeiam seu nascimento. Tantas coisas, tantos detalhes que levaram a ele ter o seu nascimento, que isso me movimenta a uma coisa chamada luz. A vida é uma luz, e uma vida nascente é a própria luz. Por isso, Jesus nasce, porque ele é luz. Por fim, diria eu que a vida deveria ser de luz, não de Jesus, ou qualquer outra luz, mas A LUZ.

Ou uma luz que dure muito, ou um cheiro que passe logo.

05 dezembro 2006

O meu show de Truman




Não quero demorar a escrever. Quero deixar o meu pensamento livre para ser poético e me abster da racionalidade que tanto vem me tomando nos últimos tempos. Acabei de ver “O show de Truman”, estrelado por Jim Carey. Sim, eu ainda não tinha assistido ao filme, e quando resolvo assistir saio assim: outro.


A força que me impulsiona agora é a de ser meu personagem principal. Será que eu sou? A vida vai te levando de ação em ação, de cena em cena e de capítulo em capítulo, tanto que se você resolver transformar tudo em filme, você perde a vida, se você transformar tudo em vida, perde a poesia, e como viver? Acredito no nosso impulso criador de todos os dias, acredita nessa divindade interna, como se assim como Truman, tivéssemos um diretor/deus, só que dentro de nós, e que não escutamos muito ele, queremos contraria-lo. O diretor sabe da cena, nós não, daí num certo capítulo 10.909 resolvemos por um simples traço de motivo que nossa vida não é a nossa vida, daí pegamos o guidom e achamos que já sabe tudo do mundo e vai navegar por aí. O mundo nos empurra de volta e fazemos força e vamos e vamos, até que chegamos na verdade.


Nós não somos felizes. Truman era, mas não seu pai, não sua mãe, não sua esposa, muito menos Sylvia, seu amor desaparecido. Todos temos um amor fracassado, porquê raios chorar pelo de Truman? Ele era feliz nesse admirável mundo novo, as câmeras sabiam muito bem dirigir a cena, porém ele resolve atravessar o muro. Dá-nos um bom dia, boa tarde e boa noite, vira-nos as costas e atravessa a porta de saída. Boa sorte, Truman. Alguns segundos depois, mudamos de canal.


Luiz Antonio Ribeiro
06/12/06

01 dezembro 2006

outro

"Brigar é estar junto ao contrário.
Já separar-se é mais sério:
é tentar tirar a parte do outro que mora na gente."

Luiz Antonio Ribeiro
29/11/04